28/02/2008

...não sei construir sonetos

...não sei construir sonetos

Narcisos, não sei construir sonetos, imagino que existam pessoas que cresceram entre as métricas dos dois quartetos seguidos de dois tercetos, de modo geral contendo dez sílabas poéticas, entre as canções rítmicas dos ‘sonetos’ e seus contrapontos passo a passo pessoas se organizam: Vocábulo que deriva do latim "sonu", "suono" equivale a som no italiano.
Existem pessoas que dizem detestar olhar para um quadro abstrato e/ou surreal apontando para algo como de lá, absolutamente nada se pudesse se retirar... Quando sinto necessidade de uma certa manutenção de idéias procuro minhas próprias respostas com os sonetistas: É belo, observar a inclusão de uma metáfora dentro de um soneto não nas extremidades mas sim no centro de uma das frases.Procurando rimar internamente em determinadas situações, cada qual veste a cor da roupa lhe agrada em um determinado dia, da mesma forma que considero um “borrão” poderá existir sempre algo, solto e implícito no interior de uma tela. Há sempre algo livre entre pingos de tintas e nas palavras milimetricamente organizadas.
Existe uma ordem para tudo dentro da desordem e vice-versa.
Ninguém lida com a Arte a toa, ninguém tira uma foto de uma paisagem por mero acaso. Pessoas sensíveis se alimentam de Arte, buscando compensações nos momentos singulares de guerra e paz equilibrando-se nos muros da Arte.
Você pode escrever um soneto dentro de uma vontade inquebrantável desafiando a si mesmo: Encontrando uma forma de reforçar pensamentos que rodam em círculos ou demonstrar como se pode permanecer intacto dentro do caos.
Um soneto pode ser um reflexo do Amor:

Quem diz que Amor é falso ou enganoso
Luís de Camões

Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce, e é piedoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens, e inda aos Deuses, odioso.

Se males faz Amor em mim se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de Amor;
Todos os seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.

Até que ponto por aqui... não se tem: a reprodução ou representação de imagens do mundo visível? Da "arte não-representacional" ou "não-figurativa"... o amor é um elemento que gera "Distanciamento das aparências" em todos os aspectos.
O amor acolhe pessoas, quando um determinado número de aves no céu passam a se juntar no fim do dia e contar uma as outras sobre seus “causos”, a árvore-mãe hospeda todos os pássaros tendo que ter uma dose a mais de disposição construtiva, seus galhos funcionam com um poleiro (já pensou o que é segurar uma dança de pernas e garras entre os saltos de trampolins aqui e acolá?), tendo sobre si diversas espécies, naturalmente, todos têm direito de ensaiar, desafinar, desabar e/ou cantar maviosamente nos galhos de uma árvore. Algumas aves efetuam passagens-relâmpagos pela árvore, outras cansam de ficar por lá, outras discutem até se matar, outras observam os movimentos, enquanto outras se alimentam outras decolam, espalhando sementes, e outras que ficam por lá vão tecendo novos ninhos...
Penso que alguém que constrói um soneto de amor parte de um sentimento abstrato... quase palpável, navegando no imaginário procurando respostas no silêncio escova delicadamente palavras, procurando cheio de dedos atingir um alvo certo, passa pela “musicalização” dos sentimentos ao caçar-significações que se encaixem... isto é um dos dons de quem faz poesia, porém não basta escrever poesia, esta quando sentida algo Mágico chama atenção ao redor!
Lindas!?! São as letras que passam a ser musicadas e como é belo poder ouvir um sonetto* musicado!!!
Qualquer poesia sem sentimento verdadeiro funciona como uma carta falsa, como às vezes é mais fácil dizer um "te odeio", do que afirmar a meio mundo um: "eu te amo". Assim como nenhum filósofo não perde a oportunidade de (se) interrogar, pedreiros assentam tijolos, pintores pintam suas histórias, atores interpretam e confrontam partes de suas múltiplas facetas, alguns escritores se centram em heterônimos, cada qual instintivamente sabe como organizar sua fala.
Um profissional bem resolvido sente prazer em executar seu ofício que resulta na meta atingida, assim como os bons amantes da Arte reforçam todos aspectos avaliando os ruins, também se constroem a valorização de novas LINHAS DA VIDA. A Arte provoca um BUM! Mesmo não existindo um estado de neutralidade, tudo é sim ou não, o caminho central está nas expressões da interpretação dos cantos das metáforas.
A Arte pode jogar um sujeito para o estado de meditação que não deixa de ser um instante especial de “prece” de relig_ação com a Natureza, onde no meio das tempestades em pleno inferno, impulsiona alguém em minutos a sair do estado de dormência até alcançar um novo céu.
Portanto, posso pensar que neste instante não tenho o dom da arte de construir um soneto, mas isto não quer dizer que eu não traga mais de um soneto dentro de mim, às vezes quem me garante que não sou um soneto ambulante? Ou não necessite do apoio de algo semelhante, noutras horas?!? A partir do instante que olho um retrato de um dos reflexos de meu estado interior, não se confunde, meu eu lírico de trova_dor... caminha com todas as formas de sons e de versos. Aí, talvez esteja o uso da luz, nesta minha forma abstrata de desmembrar os contornos das linhas que caminham no espaço do tempo, entre cores ganhando nova expressividade demarcando o respeito perante as texturas em mais de um território (isto, faz parte do viver e do ser de um ser intertextual no mundo das Letras).
Ainda... não sei construir um sonetos, (os que tenho por aqui penso não estarem maduros para uma leitura), mas isto não me impede de querer e experimentar escrever ao menos um, cada qual pode admirar o faz e o que o outro faz, e se não o faz? Nem sempre existe a preguiça, ou uma crítica em torno de quem está se exprimindo, apenas a necessidade momentânea de se expressar.Às vezes, a vida de alguns pode se encontrar em um momento tão “metrificado”, que a saída encontrada é espalhar o aroma das rosas com espinhos e pétalas provocando alguma reação geral, o movimento de escuta e da indulgência para com o gosto dos outros se faz necessário em todas as horas, não é mesmo?
Se lhe dei mais uma rosa do meu jardim, construa os “seus sonetos”, com o sorriso d'alma dos brancos narcisos! Até que ponto a influência de objetos da realidade, não tentam representar a imagem de nada? Eis a resposta no meio deste mosaico surreal, porque os sinos de John Donne também dobram por você.
Nota do italiano sonetto* = soneto.
Rosangela_AlibertiSão Paulo, 19.II.06

PARÂMETROS LITERÁRIOS

PARÂMETROS LITERÁRIOS
Daniel Cristal

Chamar a atenção, não ofende; desenvolver teoria, não agride; sugerir não é insulto nenhum. Só será se o leitor, desejoso por polemizar, enfiar algum barrete pelo desleixo a que se vote, ou pela lassidão a que não reage. Porque pode retorquir na forma da polémica pacífica, mas sempre numa réplica que o dignifique aos olhos dos leitores em geral. Pois, mandar palpites, só o deve fazer nos jogos da sorte e do azar; do azar, sobretudo. Com muitas probabilidades de perder este jogo que emparceiramos, este que exige precisões de conceitos teóricos apurados, fundamentações, silogismos, estrutura crítica. Pode refutar, naturalmente, não esquecendo que, dos dados mal interpretados e mal desenvolvidos, serão espelhados na sua figura, e reverterão a seu crédito ou a seu débito, como se fossem estas as contas concretas, numa abstracção estética, que deve saldar no juízo literário final. É, por tudo isto, que vou espraiando a teoria que me serve de base, não tendo visto, até agora, algo de positivo ou verdadeiramente convincente, infelizmente para mim que sou ávido de mais avanços, com os quais eu pudesse aproveitar para melhorar o raciocínio fundamentado em parâmetros que vou (a)firmando. E, é, destarte, que volto à estesia poética:
Para conter excessos, é preciso criar um molde ou um recipiente para que o conteúdo seja cont(en)ido com Beleza. É nessa forma estruturada que também se faz a Arte. Sem forma o que pode ser moldado, fica disforme, e a deformidade é contrária à Beleza. Os melhores poetas, e os estetas que os comentam, dizem, sempre que podem e querem isso mesmo, e os aprendizes têm muita dificuldades em entender esta constatação. Mas, é preciso que interiorizem o alcance do que esta asserção pretende abarcar. Os amestrados no ofício, sabem muito bem do que falo. É esse o primeiro passo para que a obra de Arte seja entendida na sua verdadeira dimensão. Tudo o que sai deste parâmetro, é desmedido, desregulado e enfatuado; cria, efectivamente, enfatuamento, ou, em poucas palavras: aparece distorcido, isto é, deficiente. A verdadeira genialidade está em criar regras próprias que possam ser notadas e exemplares em novas escolas a criar, pautando-se estas por um mundo novo que gera novas consciências, e, mesmo, imperceptivelmente, procuram mudar comportamentos, ideologias, filosofias; a alteração dos psico-arquétipos está ao alcance do artista genial, e creio ser este o maior desafio que se lhe depara, e até ter extinguido esta possibilidade, na concretização constante e porfiada dos objectivos que traçou para o seu percurso na Literatura. Alcançando-a, alcança o topo da sua mestria.
Um precursor não é mais do que o que venho a afirmar há bastante tempo numa labuta permanente, porventura mal escutada; mas, continua e ainda não atingiu a meta final.

2007.Portugal

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«A grandeza da alma não é evidente aos olhos de toda a gente. Essa grandeza é mais ou menos pequena, diante dos que possuem uma alma em grau mais ou menos reduzido.Quando alguém se manifesta em frente do que é superior e belo, espelha no comentário a sua própria alma; pela positiva se incorporar uma alma desenvolvida, ou pela negativa, se a tiver num plano subdesenvolvido. Com efeito, a grandeza da alma é sempre apreciada em conformidade com a dimensão anímica de cada um.»

Daniel Cristal

25/02/2008

O DIREITO À PRIVACIDADE

O DIREITO À PRIVACIDADE
Victor Jerónimo

Uma das grandes máximas dos governos ditadores é tirar o direito à privacidade ao cidadão comum. Com isso o cidadão perde até o direito de pensar e se acaso ele pensa indivíduos especialmente treinados encarregam-se de lhe dar verdadeiros choques psicológicos ou medicamentosos para que a loucura se aposse do cidadão e assim in extremis este perca o direito a pensar este se transforme num louco ou num vegetal.
Nas democracias actuais passa-se quase o mesmo mas de forma mais subtil e democrata, tudo em nome da segurança nacional
Mas o que me trás aqui é o direito inaliável que estes governos me dão à privacidade interpares, isto é entre cidadãos como eu.
No dia-a-dia mesmo que não queira ouvir, ouço as "fofoquinhas" da vizinha do lado, dos passageiros nos autocarros e das próprias criadas que são pagas pelos patrões para estas o servirem mas que estas se encarregam de levar para fora tudo o que se passa na casa do patrão.
É triste que assim seja pois que o cidadão comum ao agir assim está a abrir o procedente para que outro vá falar dele e lhe viole a privacidade.
Os próprios mídias procuram cada dia mais noticias sensacionalistas para divulgar nos escaparates dos jornais e o cidadão habituado que está a isto vai agindo da mesma maneira na sua vivencia diária.
Já não bastava este disse que não disse na vida real para assistirmos aqui na net ao mesmo causo. Se eu escrevo para alguém é natural que o que eu lhe confio seja mantido em âmbito privado, não tendo essa mesma pessoa que repassar a outra o que lhe escrevi.
Faz parte da educação e do estar bem para com os seus semelhantes.
Mas hoje em dia tudo isso terminou, já não há mais privacidade e mesmo as leis que nos protegem não têm capacidade de actuação para resolver estes conflitos
E os delatores (no meu tempo de juventude chamavam-se "bufos") sabendo disto continuam a actuar impunes e a divulgar o que é de âmbito privado de cada um.
A net transformou-se no maior vespeiro das maldades da humanidade, disso não tenhamos duvidas.
É claro que há ainda alguns que prezam a privacidade e são os chamados “amigos” em quem ainda se pode confiar e desabafar, mas estes são pouquíssimos, uma jóia rara no meio da imundice.
O que eu lamento mesmo aqui é que os poetas e escritores que têm o dom da pena e da palavra embarquem nestes chorrilhos próprios de seres ignóbeis e sem qualidade sentimental.
É muito triste ver estes (poetas) alguns com grandes responsabilidades no meio literário, embarcarem nesta nau de imundice e colaborarem na divulgação do que se quer privado.
Todos temos defeitos, nem um sequer os não tem mas o poeta devido à sua sensibilidade deveria saber separar o trigo do joio e actuar em plano elevado de espírito e postura perante os outros.
Afinal o mundo tem os olhos postos neles e por isso estes deveriam ser motivo de exemplo para com o mais comum dos mortais.
É muito triste e cada vez mais preocupante que assim não seja pois estas atitudes nos levam cada vez mais a fecharmo-nos em casulos e a nem nos nossos botões confiarmos.
Não adianta pedir aqui que tentemos mudar estes estados até porque a falta de privacidade vem desde que o homem adquiriu o poder de pensar, cabe isso sim a cada um de nós termos muito, mas mesmo muito cuidado de saber o que falamos (escrevemos) e para quem o fazemos.
A net deveria ser um polo de evolução da humanidade, infelizmente, por vezes, não o é e todos contribuímos para que assim não seja.
O poeta que tem o dom da escrita e tem o poder de expressar em palavras os sentimentos e todo o mal que nos assola, prefere entrar na delação e tornar publico o que o seu semelhante lhe confidenciou em privado e muitas vezes usando palavras mínimas que depois são aproveitadas pelos grandes delatores para as transformarem à sua maneira.
Haja juízo senhores e senhoras.
É triste, muito triste e lamentável
Recife, 25.Fev.2008

15/01/2008

EXAME DE 2007

EXAME DE 2007
Artigo de Daniel Cristal


Tudo o que previra realizar-se pela positiva em 2007, foi neste a concretização dessa previsão trabalhada: a notoriedade de uma obra feita paulatinamente, preserverante todavia, e teimosa na divulgação por este meio cibernáutico. Excedeu contudo as expectativas, ela colocou-me, como por artes mágicas, para culminar o trajecto, em todas as brochuras publicitárias do Teatro Trindade, nas suas vitrinas interiores e exteriores, nos placares das colunas dentro e fora, especialmente no seu frontispício virado para a Praça da Trindade desta Lisboa, emparceirado à observação geral por Baudelaire, Neruda, Pessoa e Florbela (*). Os intelectuais e universitários da cidade, especialmente aqueles que não perdem espectáculos culturais teatrais e outros tiveram ocasião de aproveitar para ouvir boa poesia com um bom «diseur». A Net também noticiou largamente este evento... Que felizardo me aconteceu ter sido durante no ano de 2007, nomeadamente de acordo com o que previra no final de 2006! Quem me lê conhece de certeza esse texto do final desse ano. Houve websites que continuaram a realçar a minha produção, porque bem vistas todas as coisas, são eles que excedem especialmente a sua grandeza, e vale a pena mencionar neste momento: Dor e Amor, Rogério Simões, Ecos da Poesia, Victor Jerónimo, Ver O Poema, o Liberal, Grace Spiller, Manuel Virgílio, AVSPE, Efigênia Coutinho, Mensageiros do Amor, Paulo Nunes, Sonetos.com, Bernardo Trancoso, e perdoem se me esqueci de mais algum. Claro que não menciono aqueles que desde o ano 2002, abriram as suas páginas para me acolher com orgulho e satisfação. Ainda que não os recorde pelos nomes aqui e agora, por não terem estado muito presentes em 2007, e porque seria uma lista longa de centenas de títulos, recordo-os, no entanto, de vez em quando, numa lista que tem como título Actualizações de Referências, e é enviada a centenas de listados nos meus grupos pessoais, e a outras entidades deste espaço virtual, organismos esses com uma enorme potência divulgadora mundial nas Literatura e Arte. Isto apenas quer dizer o que já disse Victor Jerónimo, e neste momento recordar com muita gratidão e honra: num lustro a Net proporcionou-me na forma modelar e revolucionária de ciber-escrita, a melhor, a mais convincente e grande viagem exemplar, transposta do mundo Virtual para o Real. Estou feliz por isso, ainda que esteja dependente de uma saúde fragilizada... por preocupações com o desgaste que o tempo vai cometendo sobretudo nas artérias do meu corpo. Não há dúvida que falta imprimir em papel a vasta obra já escrita, boa parte dela digitada. Este é o obstáculo que tenho de enfrentar e resolver em 2008. Porém, só acredito nele com uma boa base de apoio. E essa base encontra-se num mundo a conquistar: este, formado pelos apoios de pares, programação de saraus, encontros de poetas e um bom distribuidor de livros pelas bancas e livrarias.
Para além dos obséquios proporcionados em 2007 pela AVSPE, Ecos da Poesia, Rogério Simões, Liberal de Cabo Verde, Mensageiros do Amor, Manoel Vergílio, Sonetos.com, Ver O Poema, Paralerepensar, Grace Spiller, Blocos On Line, e que tenho de agradecer muito reconhecido, devo agradecer muitíssimo, e insisto neste reconhecimento, também e especialmente a Victor Jerónimo, ao realçar a inteligente e perscrutante notícia no seu Blogue, aquando do evento VINHO VADIO, um marco decisivo. O programa estava á vista de todos os peões da Praça da Trindade e junto ao café «A Brasileira» no Chiado onde Fernando Pessoa está sentado num corpo de metal escurecido. Vejam a foto:(*)







O que mais ressalto neste evento é o facto de constar nele, sem que eu conhecesse a origem da escolha. O acontecimento do realizador ter seleccionado a minha poesia, talvez (e diria isto com convicção) julgando-me Autor falecido, de contrário teria negociado como lhe competia os direitos de autor, e certamente ao ter-me descoberto na Net, pelos poderosos motores de pesquisa mundial, foi o grande sinal de que a Internet começa a ter efeitos muito vastos quanto a audiências com um público leitor muito interessado em Literatura, especialmente a Poesia. O teste foi feito, foi totalmente positivo, excedeu todas as expectativas, e. por isso, outra fase me espera: a realidade livreira para a qual não me sinto nada calhado, por completa ignorância dos meandros que é preciso percorrer, e vencer. Anexo uma página da brochura publicitária do Teatro Trindade, cujos autores estavam expostos à leitura nas colunas do dito Teatro, tanto no seu interior como no exterior, e onde aparece a anunciação do VINHO SADIO (*)






DA INTERNET PARA O TEATRO TRINDADE EM APENAS UM LUSTRO - A GRANDE VIAGEM DE DANIEL CRISTAL(artigo publicado no Blog e mencionado por Daniel Cristal, neste artigo)


DA INTERNET PARA O TEATRO TRINDADE EM APENAS UM LUSTROA GRANDE VIAGEM DE DANIEL CRISTAL


Falar de alguém da sua obra e da sua trajectória é-me extremamente difícil e por vezes essa análise pode ter pecadilhos involuntários, mas que são feitos de análise profunda do que tenho observado e visto.Armando Figueiredo com um altérnimo criado Daniel Cristal o homem escritor, poeta, contista, ensaísta e cronista laureado, deu um "salto" daqueles saltos que se dão sem se esperar, sem se contar com ele.Daniel Cristal que salta do espaço virtual para o espaço teatral, ou seja, da Internet para o espaço cultural da Lisboa cosmopolita. Analisando a sua trajectória veremos que Armando Figueiredo não era conhecido do vasto público lusófono nem sequer português. Era relativamente conhecido em alguns restritos espaços académicos, jornalísticos, isto porque investia muito pouco na conquista do espaço pertencente à Literatura, especialmente, à Poesia.Mas, hoje, a sua projecção da virtualidade para a realidade foi tal que não há nenhum espaço na Web onde não seja conhecido nesta específica área da Arte e do Saber. Armando Figueiredo versus Daniel Cristal passou do espaço virtual, chamado Internet, para a acção cultural do Teatro Trindade, que anima as noites poéticas de Lisboa neste mês de Novembro de 2007.Sem ter editado livros de papel que parecem não ser necessários para se estar nos grupos de vanguarda literária e ser bastante conhecido, citado e elogiado entre países separados por continentes, o seu percurso foi feito por empatias profundas geradas na Internet, nos chamados sites, websites, portais e blogues; efectivamente, pediram os seus donos, desde o aparecimento do Poeta na Web, poesias e textos seus para serem editados nos seus espaços pessoais, algunscolectivos, outros jornalísticos.Num lustro, desde a sua aparição na Net este Autor foi como um espectáculo humano numa viagem de comboio com passagem por muitas e variadas estações, com pessoas a entrar nele, a saudar, a dialogar e a conviver literariamente. Poucos se apearam, e, quando tiveram que sair, ficou na memória, na maior parte dos casos a afeição e admiração recíprocas. Realmente, o que mais primou neste convívio foi a empatia, e ela percorreu vincadamente e com elegância, todo este trajecto.Sei que o Autor se surpreendeu com este fenómeno, e não sabe se o há-de aproveitar para aceder ao público livreiro, mundo que nunca lhe interessou verdadeiramente, mas pensa que agora talvez seja oportuno e imperioso deixar algo que possa ser distribuído pelas Livrarias e Bibliotecas, aos leitores que o queiram guardar nas suas estantes para recordar, esses e outros leitores, que durante este lustro se tornaram leitores assíduos e fãs. O mundo leitor espera por Daniel Cristal e pela oportunidade de colocar na sua estante o(s) livro(s) há tanto esperado(s).

Victor Jerónimo
Vice-Presidente da Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores (AVSPE)
Membro da Associação Portuguesa de Poetas (APP)
Membro do Movimento Poético Nacional - Brasil
Editor e proprietário do Grupo Ecos da Poesia

18/12/2007

NATAL 2007

NATAL 2007
Victor Jerónimo

Muitos homens e mulheres têm passado pela minha vida. Com algumas centenas convivi dezenas de anos e bem poucos restaram no final.Os que restaram guardo-os no lado esquerdo do peito e cada um ocupa o seu lugar o carinho e a amizade que tenho para com eles.Os outros seguiram para outros lugares porque a vida não se compadece nem tem dó. É como os Natais, alguns ficaram bem aqui do lado esquerdo, principalmente aqueles em que a idade da razão ainda não havia chegado para compreender a vida, os outros, alguns, passaram-se foram-se no esquecimento.Esquecimento? Bem, se me lembro deles não ficaram tão esquecidos assim e isto porque a Lei da Polaridade nos ensina "Tudo é duplo, tudo tem dois pólos, tudo tem o seu oposto. O igual e o desigual são a mesma coisa. Os extremos se tocam. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliados "Porque tudo na vida é duplo tudo é igual apenas mudando a perspectiva com que encaramos o que nos rodeia.Os Natais e porque estamos nesta quadra, sempre serão iguais na comemoração do nascimento de um Deus-Menino e os comercias, sempre se preocuparão em usufruir o dinheiro que está nas algibeiras de cada um de nós e os pobres continuarão pobres, os mais afortunados talvez tenham uma sopa quente dada por alguma mão caridosa ou alguma instituição, os doentes continuarão nas suas camas de dor e alguns poderão ter a sorte de algum familiar ir dar-lhes um carinho com amor ou outros com menos amor apenas cumprindo o seu calvário, as guerras continuarão e homens, mulheres e crianças tombarão neste dia para sempre e cada vez sabendo menos pelo que morrem, os assassinos e ladrões continuarão assim como toda a corja que habita este mundo que lhes foi ofertado por um Ser Maior, mas que o homem tem destruído sistematicamente por ganância.Não pensem que escapam ao Juízo Final ou ao fim dos tempos, "Toda causa tem seu efeito, todo o efeito tem sua causa, existem muitos planos de causalidade mas nenhum escapa à Lei" Lei de Causa e Efeito,Cada um é responsável pelos seus actos e o que fizermos um pouco receberemos em dobro.É Natal no mundo cristão, para o resto do mundo o dia seguirá o seu curso sem manifestações natalícias e onde a heroicidade de cada um continuará a ser o seu viver.Que os meus amigos guardados do lado esquerdo do peito tenham um bom Natal e todos os outros o tenham por igual.Pelo menos que a recordação do verdadeiro Natal habite os seus corações."O que está em cima é como o que está embaixo. E o que está embaixo é como o que está em cima"

17.Dez.2007

27/11/2007

A CULPA FOI DOS JESUÍTAS

A CULPA FOI DOS JESUÍTAS
(sobre o primeiro de Dezembro de 1640)
Victor Jerónimo(*)


A perda da independência de Portugal em 1580 para os Espanhóis, obedeceu a uma série de factores onde estiveram inseridos a arrogância, má governação, igreja através dos Jesuítas e também a má sorte ou azar do Rei D. João III.
Com efeito El-Rei D. Sebastião nasceu como “O Desejado” em 20 de Janeiro de 1554.
Quando nasceu D. Sebastião neto de D. João III, a sucessão estava em perigo devido ao casamento da infanta D. Maria de Portugal com o príncipe D. Filipe de Castela pois as escrituras do casamento continham uma clausula que atribuía aos filhos deste matrimónio a herança da coroa portuguesa se a esta faltassem herdeiros.
Os 10 filhos de D.João III morreram ainda o rei estava vivo e só um deles o Principe D. João que nasceu a 03 de Junho de 1537, chegou à adolescência.
Seu pai para garantir a descendência, casou-o aos 15 anos com D. Joana, filha de Carlos V de Espanha, mas infelizmente também este faleceu em 02 de Janeiro de 1554, deixando a sua esposa gravida.
Se acreditarmos em destino, veremos que Portugal tinha o seu traçado, desde há muito, pois o falecimento dos filhos do Rei D. João III assim como dos seus irmãos não augurava nada de bom para o país e havia que criar-se uma descendência com urgência. D. Sebastião com três anos e meio foi aclamado Rei de Portugal e quando chegou à adolescência, deveria ter assegurado esta e não ter-se metido em aventuras, esta deveria ter sido a sua maior procupação.
O Império Português com dois séculos e meio estava em grave perigo e a pouca sorte do Rei D. João III agravou grandemente esta situação.
D. Sebastião Rei de Portugal tinha uma saúde precária mas uma grande paixão: a guerra.
O bom D. Aleixo de Menezes e os defeitos de Luís Gonçalves da Câmara, foram duas grandes influências na vida de D. Sebastião. D. Aleixo com os seus bons conselhos tentava que este não aceitasse os aduladores e aquando da sua morte em em 1569, deixou-lhe recomendações que ele nunca cumpriu. Aconselhava-lo entre várias coisas a que não se entregasse nas mãos dos fidalgos moços, mas passados alguns anos foi isso que fez.
Luís Gonçalves da Câmara, era um caçador semi-selvagem que desprezava o amor e o perigo.
Foi este que o impediu de deixar um herdeiro à coroa e de se salvar na derrota de Alcácer-Quibir, quando isso ainda era bem fácil.
D. Sebastião foi também um escravo dos jesuítas, que tudo fizeram para que este desenvolvesse o fervor religioso, e tudo faziam para que se afastasse das mulheres, pois a influência destas, esposa ou amante, iria destruir para sempre a influência do confessor.
Temos assim um rei efemeninado que fugia das mulheres e que para compensar dedicou-se à guerra.
Foi dessa amizade e união que fez com jovens temerários do seu tempo e a arrogância de não ouvir os conselhos que recebia que levou o país à catastrofe.
Com efeito este rei que nunca percorreu o país visitando os seus subditos e nunca convocou cortes só tinha como desejos a conquista do Norte de África aos Mouros.
Desbaratou e arruinou os cofres do reino com a contratação de mercenários para formar o exercito, pediu ajuda a Espanha e com estes aventureiros e miseráveis partiu para a guerra em Junho de 1578.
A organização de um exercito sem treino e sem objectivo patriótico foi o prenúncio do caos que levaria à estrondosa derrota de Portugal em Alcácer-Quibir.
Um exercito cansado, esfomeado e sem um rei capaz de o dirigir sofre uma estrondosa derrota em 3 e 4 de Agosto, levando à morte, o Rei.
A insensatez e a arrogância destruíram para sempre Portugal e este nunca mais conseguiu ter a estabilidade económica que viveu anteriormente.
O tentar conquistar o Norte de África aos Mouros levou a que Portugal mergulhasse “para sempre” no abismo.
A destruição de todo o exército em Alcacér Quibir, e a morte de D.Sebastião que não tinha herdeiros levou a que Portugal, dois anos depois entregasse o trono a Espanha.
Em 1580, D.Filipe II Rei de Espanha e neto do Rei D. Manuel I apodera-se da corte portuguesa e em 1581 é aclamado Rei de Portugal nas cortes de Tomar.
António Prior do Crato, neto (ilegítimo?) do Rei D.Manuel I ainda tentou a salvação tendo sido nomeado Rei pelo povo em 1580 no Castelo de Santarém, mas só governou 20 dias.
Na batalha de Alcântara frente ao Duque de Alba, sofreu grande derrota tendo então transferido o governo para a Ilha Terceira, Açores até 1583 onde acabou por ser derrotado, sobretudo pelo apoio da nobreza tradicional e da burguesia de apoio a Filipe.
D. António Prior do Crato foi o derradeiro príncipe da Casa de Avis e a História de Portugal comete uma grande injustiça por não o considerar como o décimo oitavo rei de Portugal com o titulo de El-Rei D. António I.
Realmente sempre houve nobres e senhores em Portugal prontos a entregar a soberania em troca de umas moedas e umas “territas”.
Como acontece ainda hoje a troco de uns Euritos, pensam que a salvação está em Espanha.
Ou outros como o nosso premio Nobel da Literatura, por exemplo, mas isto será matéria para outro artigo.
A dinastia dos Filipes, governou Portugal, durante sessenta anos e se considerarmos que houve realmente uma união Ibérica esta formou o maior Império que alguma vez existiu pois juntou territórios de quase todos os cantos do mundo, a saber:
América Central,América do Sul, Estados Unidos da América (87% do território), Arizona, México, África (menos o Egito, Sudão), Índia (Baçaim, Calcutá, Calecute, Cannannore, Cochim, Colombo, Chinsura, Damão, Dio, Hughli, Galle, Goa, Jaffna, Maldivas, Masulipatam, Matar, Nagapatam, Ormuz, Pulicat, Serampore, Tranquebar, Tricomale, Filipinas, Ilhas Carolinas, Ilhas Marianas, Ilhas Marshall, Irão, (Bandar Abbas), Omã (Mazcate e Zanzibar), China (Macau), Indonésia (Bante, Flores, Java, Macassar, Molucas e Timor), Kiribati, Malásia, Palau, Singapura, Espanha, Itália, (região sul), Portugal, Alemanha, Áustria, Suíça, Liechtenstein, Bélgica, Países Baixos , Luxemburgo, República Checa, Eslovênia, França, (região leste), Itália, (região norte), Polónia (região oeste), Nova Guiné, num total de Área dos Territórios de 52.266.452 km2. (fonte Wikipédia)
Mas a perda da independencia portuguesa era um facto e o sonho de uma união Ibérica não poderia continuar.
Até porque os Filipes não tinham capacidade para governar um Império tão vasto.
O Rei Filipe II de Espanha comprometeu-se a respeitar os acordos portugueses as suas tradições e a seguir a Carta Manuelina, mas já o Rei Filipe IV desrespeitou todos esses acordos.
Afinal o que se pode esperar de um povo que é dominado pelo seu inimigo, onde durante tantos anos muito sangue foi derramado para manter a soberania portuguesa?
Filipe IV desrespeitou os privilégios da nobreza nacional agravando-os.
O que esperavam? Não foram eles que anos antes tinham apoiado como seu salvador o jugo espanhol? Ah nobre povo português que tanto tens sofrido por mercê dos senhores que te têm governado.
Com Filipe IV os impostos aumentaram e a população empobreceu; os burgueses ficaram afectados nos seus interesses comerciais e a nobreza ficou preocupada com a perda dos seus postos e rendimentos e o mais grave de tudo o Império Português começou a ser ameaçado por ingleses e holandeses perante a impotência dos governadores filipinos.
Portugal achava-se envolvido nas controvérsias europeias que a coroa estava a atravessar, com muitos riscos para a manutenção dos territórios coloniais, com grandes perdas para os ingleses e, principalmente, para os holandeses em África (São Jorge da Mina 1637), no Oriente (Ormuz em 1622 e o Japão em 1639) e principalmente no Brasil (Salvador, Bahia em 1624; Recife, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Sergipe desde 1630). (¹)
O descontentamento e o perigo de Portugal perder para sempre os seus territórios fez crescer o sentimento de revolta de alguns nobres portugueses, sobretudo pela Casa de Bragança.
Foi também determinante no processo da revolta a intenção do Conde-Duque de Olivares em 1640 tentar usar tropas portuguesas nas zonas catalãs.
Assim em 01 de Dezembro de 1640, em um sabado, tal como hoje, (2007) quarenta conjurados, donde se destacaram os fidalgos D. Antão de Almada, D. Miguel de Almeida e o Dr. João Pinto Ribeiro, foram ao Terreiro do Paço, Lisboa, mataram o secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e aprisionaram a duquesa de Mântua, que governava Portugal em nome de seu primo, Filipe IV.
Era a Restauração, iniciando-se a quarta dinastia com El-Rei D. João IV.
Mas muitos dos rendimentos dos portugueses como os da Índia estavam perdidos para sempre e nunca mais Portugal voltou a ter as glorias da Dinastia de Avis.
Que o dia que hoje se comemora (01 de Dezembro de 2007) seja de reflexão para todo o povo português e seus governantes e que a lição da história vivida pelos nossos antepassados não se repita com os chamados Iberistas que vêm em Espanha a salvação, quando se deviam preocupar em fazer de Portugal um país de respeito, entre as grandes nações.
Nada é impossivel, tudo é possivel, basta haver o querer e a união do nosso nobre povo e dos seus governantes.
Oxalá que D. Sebastião nunca regresse e ainda por cima numa manhã de nevoeiro (crença do povo na época e que se mantám até hoje, para designar certos sebastianismos que continuam a grassar no bom Portugal)
"Morro, mas morro com a Pátria", assim o afirmou Luiz Vaz de Camões, pouco antes do seu falecimento em 10 de Junho de 1580.

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Luiz de Camões

(¹) Foi o Rei D. João III que se preocupou com o domínio do Brasil e o dividiu em capitanias-donatárias, as conhecidas capitanias hereditárias, estabelecendo um governo central em 1548.
D. João III “Foi o verdadeiro criador do Brasil, que rapidamente se tornou o elemento fundamental do império português, assim o sendo até o início do século XIX” (Paulo Drumond Braga, op. cit, pg 145).

(*) Victor Jerónimo é português e vive no Recife – Brasil.
Este artigo foi escrito baseado em factos históricos e em conhecimentos que o autor tem sobre a História de Portugal.

11/11/2007

DA INTERNET PARA O TEATRO TRINDADE EM APENAS UM LUSTRO - A GRANDE VIAGEM DE DANIEL CRISTAL

DA INTERNET PARA O TEATRO TRINDADE EM APENAS UM LUSTRO
A GRANDE VIAGEM DE DANIEL CRISTAL
Falar de alguém da sua obra e da sua trajectória é-me extremamente difícil e por vezes essa análise pode ter pecadilhos involuntários, mas que são feitos de análise profunda do que tenho observado e visto.
Armando Figueiredo com um altérnimo criado Daniel Cristal o homem escritor, poeta, contista, ensaísta e cronista laureado, deu um "salto" daqueles saltos que se dão sem se esperar, sem se contar com ele.
Daniel Cristal que salta do espaço virtual para o espaço teatral, ou seja, da Internet para o espaço cultural da Lisboa cosmopolita.
Analisando a sua trajectória veremos que Armando Figueiredo não era conhecido do vasto público lusófono nem sequer português. Era relativamente conhecido em alguns restritos espaços académicos, jornalísticos, isto porque investia muito pouco na conquista do espaço pertencente à Literatura, especialmente, à Poesia.
Mas, hoje, a sua projecção da virtualidade para a realidade foi tal que não há nenhum espaço na Web onde não seja conhecido nesta específica área da Arte e do Saber.
Armando Figueiredo versus Daniel Cristal passou do espaço virtual, chamado Internet, para a acção cultural do Teatro Trindade, que anima as noites poéticas de Lisboa neste mês de Novembro de 2007.
Sem ter editado livros de papel que parecem não ser necessários para se estar nos grupos de vanguarda literária e ser bastante conhecido, citado e elogiado entre países separados por continentes, o seu percurso foi feito por empatias profundas geradas na Internet, nos chamados sites, websites, portais e blogues; efectivamente, pediram os seus donos, desde o aparecimento do Poeta na Web, poesias e textos seus para serem editados nos seus espaços pessoais, alguns
colectivos, outros jornalísticos.
Num lustro, desde a sua aparição na Net este Autor foi como um espectáculo humano numa viagem de comboio com passagem por muitas e variadas estações, com pessoas a entrar nele, a saudar, a dialogar e a conviver literariamente.
Poucos se apearam, e, quando tiveram que sair, ficou na memória, na maior parte dos casos a afeição e admiração recíprocas. Realmente, o que mais primou neste convívio foi a empatia, e ela percorreu vincadamente e com elegância, todo este trajecto.
Sei que o Autor se surpreendeu com este fenómeno, e não sabe se o há-de aproveitar para aceder ao público livreiro, mundo que nunca lhe interessou verdadeiramente, mas pensa que agora talvez seja oportuno e imperioso deixar algo que possa ser distribuído pelas Livrarias e Bibliotecas, aos leitores que o queiram guardar nas suas estantes para recordar, esses e outros leitores, que durante este lustro se tornaram leitores assíduos e fãs.
O mundo leitor espera por Daniel Cristal e pela oportunidade de colocar na sua estante o(s) livro(s) há tanto esperado(s).
Victor Jerónimo
Vice-Presidente da Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores (AVSPE)
Membro da Associação Portuguesa de Poetas (APP)
Membro do Movimento Poético Nacional - Brasil
Editor e proprietário do Grupo Ecos da Poesia

01/11/2007

DISSERTANDO

DISSERTANDO
Victor Jerónimo

Desde que foi descoberto um meio de o ser humano se comunicar à distância, este tem ampliado os seus conhecimentos de forma fantástica. Primeiro o telefone, depois os rádios amadores, lembram-se(?) e agora a internet.
Muito já escrevi sobre os seus perigos e que todos conhecemos, mas há as amizades, as grandes amizades, antes impensáveis entre duas pessoas que não se conheciam fisicamente.
Estes bites mágicos têm-nos transportado aos pontos mais recônditos do planeta e tem-nos feito encontrar verdadeiras almas nobres, singulares, solitárias, mas almas que se encontram com a nossa e nos leva a criarmos uma amizade antes impensada nos meios tradicionais, ou que levariam anos a criarem-se.
Porque aqui estamos sós, como espectadores do mundo e onde temos o grande poder da comunicação, sentimo-nos libertos para escrevermos sobre o que nos apraz e nas amizades
desenvolvermos esse bem de forma carinhosa e amiga. Basta que o caldo mágico esteja na medida certa e que esse bem da procura amiga esteja equitativo para os dois lados.
Neste meio de comunicação o ser humano doa-se no que de mais belo tem dentro de si, criando verdadeiros estágios de solidariedade, companheirismo e devoção.
A preocupação na doença, onde as rezas são um factor a ser estudado, a ansiedade da ausência do outro, o transportar-se em espírito e doação de palavras para ajudar o semelhante são casos
bem concretos no quotidiano internáutico.
Estas amizades evoluem para estados superiores e irmanam-se criando autênticos tratados de arte e gloria que elevados em espírito conduzem a plenitudes de bem estar, amor e carinho.
Amor? Ai o amor esse que provem de uma grande amizade, que é criado não através de desejos carnais mas espirituais e que é tão bem descrito nas religiões.
O amor e adoração que vem desde os primórdios da humanidade, de amarmos o inatingível, de amarmos o desconhecido, de amarmos o bem, é uma aplacação real na internet que não é nova, que sempre existiu, o amarmos o desconhecido.
Muitas destas amizades e amores terminam quando as pessoas se conhecem fisicamente, mas a grande maioria prevalece.
Quando há o encontro físico e o olhar no espelho da alma, os olhos, logo ali ficamos a saber se valeu a pena e que vai valer a pena continuar essa amizade.
Ninguém está isento de defeitos, traumas, problemas muito graves, mas essa amizade nascida assim dificilmente se dissolve se tiver havido esse olhar d'alma.
Recife 01.Nov.2007

21/10/2007

PORQUE RAZÃO?

PORQUE RAZÃO?
Victor Jerónimo

Não sei, realmente não sei. Não sei que razão te assiste para assim comigo falares. Será que a tua razão permite a má educação? Ou será que a tua força da razão é diferente de tudo o que engloba os valores morais do mundo que nos rodeia? Realmente não sei porque razão te consideras o dono do mundo, o dono das pessoas, será que tu és dono do teu dono e a razão mais uma vez te assiste com paradigmas efusivos e balanceados em torpes designios? Porque a razão é tua e não minha ou do nosso semelhante?
Porque razão te crês um ser superior e com a razão absoluta?
Será que a razão das razões podem acobertar toda a maldade, inveja, ódios assassinatos, roubos e até holocaustos?Porque a razão te assiste em tudo o que fazes e a razão dos homens não tem valor?
Porque razão o planeta Terra não pode ser um planeta de paz, amor, concordia resumindo um paraíso?
Que razão tens tu para dominares assim a maldade? Qual a razão que te assiste para em nome das tuas verdades abandonares assim o homem à sua mercê não cuidando dos rebanhos que tanto apregoaste?
Será que a razão a tua razão é a razão que não nos assiste ao comungarmos o bem que queremos?
Porque razão me falas assim? Porque razão falas assim aos meus semelhantes?
Porque razão nos amaldiçoaste?
Porque razão... Porque razão... Porque razão...
Recife 18.Out.2007

30/09/2007

O AMOR?

O AMOR?
Victor Jerónimo

O amor? Ai o amor! Coitado do amor!
Como palavra tem sido usado para todas as crenças, invejas e até maldades, mas raramente a sua essência é usada no que a palavra tem em si, O AMOR.
Sinto-me desiludido e frustrado por ler e ouvir tantos a falarem do AMOR, multidões a apregoarem O AMOR e tão poucos a mostrarem O AMOR.
Mostrarem? Bem, na verdade o amor não se mostra, pratica-se. O verdadeiro amor é humilde, envergonhado e só se mostra quando vemos o bem causado por ele e nunca quando alguém nos vem gritar que nos ama.
Amar é uma sublime doação ao nosso próximo, é saber dar sem a espera do receber é sublimar-nos perante o próximo de maneira a que este entenda que é amado verdadeiramente sem ser necessário dizermos que o amamos.
Vejamos quantos no mundo falam em amor e vejamos quantos verdadeiramente amam...
Ver? É muito difícil ver o amor principalmente se ele não existir no nosso coração. Por isso todos falam em amor mas são cegos a este. Falam porque ouvem falar, falam porque sabem assim chegar mais próximo do coração da pessoa, falam para enganar.
Utilizam a palavra AMOR sem nunca o terem sentido em seus corações e muitos pensam que o sentem, mas verdadeiramente nunca o conheceram.
Amar significa doar, darmos inclusivamente a vida pelo nosso semelhante.
E não sorria ao ler-me porque se o faz, você realmente não ama.
Quantos pais deram a vida pelos filhos e quantos filhos deram a vida pelos pais, mas e aqueles que nem sequer conhecem o semelhante que salvaram e morreram na luta e salvamento deste?E escrevendo sobre o amor entre dois seres, o amor que nos leva a constituir família, o amor com que vivemos para sempre até que a morte nos separe?
Ah, como esse amor existe cada vez menos e como cada vez há mais interesses obscuros numa relação onde falam em amor e este não existe nem nunca existirá, pois que o segredo está na grande e sublime AMIZADE.
Muitos deram a vida por nós, mas tão poucos souberam compreender.
Seria bom que todos tentássemos compreender o amor, seria bom e saudável para nós mesmos, seria bom que nos amassemos para entendermos o verdadeiro amor e depois o soubéssemos compartilhar.
Por favor, não me venha falar de amor, quando eu observo que a sua vida é de ódio.
Não seja mentiroso, ame-se primeiro, mostre por actos e não palavra o quanto ama e depois então falaremos de amor.
Recife, 30.Set.2007

25/09/2007

O DIREITO À LIVRE EXPRESSÃO

O DIREITO À LIVRE EXPRESSÃO
Victor Jerónimo


Quem tem o poder de decisão ou comando peca muitas vezes por uso ditatorial não respeitando o livre arbítrio de cada um e a liberdade de ideias ou dogmas.
É comum em democracia protestarmos quando um dirigente ou governante usa do seu poder "para calar" um determinado jornalista ou mesmo outro político, mas no nosso dia-a-dia
usamos nós mesmos esse poder, se o tivermos, para calar uma determinada pessoa.
É óbvio que nada nos obriga a ouvir ou ler a quem não queremos e aqui entra a nossa liberdade de decisão mas não podemos calar quem numa comunidade usa essa expressão livre consagrada nas mais elementares constituições democráticas.Podemos impedir o acesso a determinada pessoa à nossa casa ou causa, porém não podemos calar quem o divulga ou nele fala.É esta a liberdade de cada um e da mais elementar justiça. Não podemos impor os nossos ideais porém podemo-nos recusar a aceitar os ideais de outros e isto numa sã confraternização entre pessoas dos mesmos objectivos ou não, sejam eles culturais ou políticos.
É necessário ter mito cuidado e ser muito objectivo por quem detém poderes ou governa causas. Estas minhas considerações baseiam-se dentro da liberdade de expressão, porém isso não é causa para que se aceite quem a use para usar palavreado calão ou de baixo teor linguístico, isto principalmente em locais culturais e onde cada um tem o poder da palavra e a sabe usar.
Nada nem ninguém nos pode obrigar a conviver com quem não gostamos e se nos sentimos mal num agrupamento de pessoas ou clube, podemo-nos sempre afastar para não conviver com esse "douto ser" que nos causa repulsa, porém se detemos o poder de decisão podemos impedir o seu acesso à causa.
Não podemos mesmo é cortar a voz a quem dele fala ou escreve pois aqui estaremos a usar poderes ditatoriais incompatíveis com uma democracia que se deseja sã.
Grupos, comunidades, clubes devem assim agir mas resguardando-se no dever e direito de partilhar as suas ideias e ideais comunicando o seu desagrado sobre alguém ou alguma causa que não partilha pois o direito e a expressão é livre para todos.
É certo que a ninguém é obrigatória a presença ou o compartilhamento de ideais que não são os seus mas também é certo que o uso da palavra falada e escrita é um bem maior ao qual temos direito.
E sobretudo não devemos colocar discussões privadas em causa no diálogo acerca de alguém de quem não gostamos.
Os nossos pares não têm que suportar, nem têm que aceitar o que é do nosso foro intimo e particular mesmo que isso nos cause engulhos, é nosso dever nunca colocar na praça pública o que é de foro privado.
É certo que se uma das partes o colocar a outra terá que se defender ou acusar publicamente, mas isso será entrar em dogmas que geralmente não levam a alguma conclusão e que só
deveriam na maioria das vezes e se por grande ofensa serem levadas a Tribunal.
São princípios elementares que nos governam e que a cada dia são mais esquecidos por nós, levando a que a partilha de causas que poderiam ser saudáveis se transformem muitas vezes em guerras sem sentido e onde na maioria das vezes os ditadores ganham.
Depois serão os anos de ignorância e de terror misturados com a proibição da livre expressão que poderiam ter sido evitados por esses mesmos "democratas" que não souberam ser cautelosos.Sei bem o quanto esta questão é controversa e o que aqui expus são apenas pensamentos e ideias de um pequeno escriba.
Que esta pequena leitura o ajude em algo ou causas bem mais positivas da sua vida.
Sejamos democratas com direito à liberdade de expressão, mas saibamos usar essa liberdade para não cairmos nas malhas da ditadura.

25.Set.2007

12/09/2007

VIDAS

VIDAS
(Cadernos Impolutos)
Victor Jerónimo

Formando o caracter nas horas mortas constrangidas do tempo, aquele imberbe garoto pulsante de vida corria através das vielas nuas e escusas procurando alimento para os seus.
A vida nunca lhe sorriu e o pouco tempo nesta vida já lhe havia ensinado que o mundo era cruel e fantamasgórico de caracteres e solidariedades.
O nascer naquele casebre imundo e onde os ratos eram a sua companhia, moldou-lhe a preparação para a vida a que dificilmente iria construir na perfeição da honradez.
Os seus brinquedos eram latas ferrujentas que o transportavam em sonhos próprios de criança e o levavam a mundos imaginários ora de dor ora de esperança, ora negro, ora azul punjente de um céu caiado de matizes.
A fome negra que muitas vezes lhe corroia as entranhas ía-o preparando para a vida dura e carregada de dissabores, mas ao mesmo tempo inculcava-lhe outros valores desconhecidos.
Aceitava tudo com um dom e maestria coisa ausente no mundo que o rodeava e os seus pensamentos vagueavam muitas vezes para flutuações de belos sonhos que o ajudavam a suportar a miséria em que vivia.
Tinha um sorriso enigmático mesmo nas piores situações o que era motivo de admiração na sua família e amigos que o chamavam "cabeça no ar" na falta de outras explicações para este seu estado de alma.
Prazenteiro ele evoluía muitas vezes para estados de alma próximos da plenitude e desejos especiais em encontros sublimes de espírito, num amor transcendente e evolutivo na escala espiritual.
Nestes estados a fome era a sua companheira e a solidão, a prazenteria da sua pequena vida.
Todo o mundo ao seu redor era inexistente e o recolhimento em si mesmo levava-o a estados próximos do extase.
Grande de espírito, não dava valor às carnes e o seu aspecto franzino era tema de dó mesmo entre os miseráveis que o rodeavam.
Porém seus olhos brilhavam, com aquele brilho especial, próprio das almas que vivem em paz consigo mesmas e encantava aos que não entendiam esse brilho.
Ficavam fascinados por eles e por isso muitas vezes nem reparavam a miséria carnal que grassava naquele corpo miserável abandonado e esquecido.
Quando corria nas vielas, roubando aqui e ali a alimentação necessária para o seu corpo franzino e para os seus, o espírito desprendia-se dele entregando-o aos males do mundo e fazendo-o olhar então a realidade que o cercava, tornando-o então e aos poucos violento na procura de bens essenciais à sua sobrevivência carnal.
Nestes estágios da vida o menino franzino tornava-se em menino louco e de forças sobrenaturais que derrubavam tudo o que se interpusesse entre ele e a procura da sua sobrevivência.
A falta de apoio moral e os ensinamentos dos que o rodeavam contribuíam para que neste estagio a sua sobrevivência aflorasse e o levava a cometimentos inglórios e crueis no mundo cruel do despotismo e da luta pela vida.
No roubo não se importava em tirar a vida alheia e tudo levava de rompante, como tudo fosse só seu e a propriedade alheia lhe pertencesse em pleno direito.
Porém quando se recolhia ao seu mundo a graça espiritual voltava e os seus olhos voltavam a brilhar nas contemplações.
É assim que hoje esse menino já homem vive actualmente num cubículo de quatro metros quadrados, na contemplação espiritual que o ajuda a esquecer os crimes horrendos que sua carne cometeu no mundo dos homens.
E assim ficará por toda a sua vida levando a que os outros seres que o rodeiam tenham por si um respeito ou medo próprios daqueles que sabem que sua liberdade terminou e agora há que espiar os pecados cometidos em liberdade.

Recife, 23.Ago.2007

SOMOS SOBREVIVENTES

SOMOS SOBREVIVENTES
Victor Jerónimo

Quando tento olhar para o passado e procuro o sentir do viver a vida dos meus antepassados, quando leio a História e vejo tantos horrores, tantas desgraças, tantos ódios tantas maldades, eu sinto-me um sobrevivente.
Tentar imaginar a vida dos nossos antepassados a partir dos nossos tetravós e recuando cada e cada vez mais no tempo fico a pensar como teriam sido as suas vidas.
Para eu estar aqui neste momento a escrever e a tentar idealizar o que foi, como terá sido?
Eu sinto-me tão pequeno, tão humilde, mas ao mesmo tempo sinto-me um vitorioso, que herdou o sangue, as células, a hereditariedade dos vencedores.
Todos eles foram vencedores sem excepção e todos nós que estamos aqui hoje, somos a herança, somos os sobreviventes.
Basta lermos artigos que nos contam como foi na antiguidade e se quisermos aprofundar, embrenhemo-nos na história, na arqueologia e em todas as matérias que nos levam cada vez mais além.
É cada vez mais notório como as pessoas tentam saber de onde vieram, quem foi a sua ascendência, mas isso só nos leva até uma determinada escala da evolução.
Tentemos recuar mais e mais e ficamos quase em letargia, ao tentar imaginar as cenas que se desenvolviam no quotidiano dos nossos antepassados.
E imagino que todos eles terão morto o seu semelhante para poderem sobreviver ou quem sabe outras causas.
Foi a esperteza, a vilania, a valentia que nos trouxe aqui.
Somos herdeiros de todos os males que assolaram a humanidade ao longo da sua vida.
Mortes, assassinatos, doenças uma luta constante na procura do sobreviver.
Quantos filhos morreram e quantos pais pereceram para que chegassemos aqui.
Temos uma pesada herança que devemos preservar, que nos foi legada por eles e é no conhecimento de causa e no sabermos que devemos partir à procura do bem.
Nada está perdido e tudo está achado.
Tudo? Nem tudo, Creio que muito há ainda a ser descoberto.
Transportamos dentro de nós e em hereditariedade as doenças, a maldade, mas também a bondade, a experiência, tudo pronto a despontar assim estejam formadas as ocasiões para que despolete essa luz.
Somos por isso e actualmente responsáveis pelo que fizermos e pelo que desejamos transmitir às gerações futuras, não só a nível físico mas sobretudo no espiritual, pois tudo fica gravado em nós e somos nós a transmitir aos nossos filhos.

Recife, 16.Jul.2007

07/07/2007

Semana Mundial do Meio Ambiente (2007) e NO RESCALDO DA SEMANA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE (2007)

Semana Mundial do Meio Ambiente (2007)
Victor Jerónimo(*)
Mais uma vez o homem se prepara para nos alertar que estamos doentes de tanto fumo e outros vis dejectos e que o nosso berço vai ficar moribundo.
Mais um ano de avisos e exigências, gritos de declamantes revoltados, jornais escrevendo revoltantes noticias, ambientalistas mostrando que só eles nos podem salvar.
Tudo uma panacéia para curar todos os males, como se fosse possível passar um esponja na sujidade e livrar-nos do juízo que se avizinha final.
A evolução do homem e a grande revolução industrial no século dezoito não foram planeadas para proteger a Terra, aliás pensava-se que vivíamos numa fonte inesgotável de recursos.
Tudo era fácil desde que o homem deixou de ter que lutar pela sua subsistência com a produção artesanal e se integrou nas empresas ou fabricas do senhor que possuía a maquina milagrosa da produção.
As Revoluções Burguesas são as responsáveis da passagem do capitalismo comercial a capitalismo industrial.
Os grandes melhoramentos introduzidos por James Watt no aperfeiçoamento das maquinas a vapor, veio acelarar de forma irreversível a revolução industrial. A utilização indiscriminada do carvão foi o começo da poluição da Terra em alta escala.
O alastramento e o desenvolvimento a todos os continentes provocou o começo do aquecimento global mais tarde agravado de forma irreversível pelo uso indiscriminado do petróleo.
Os derivados do petróleo, principalmente os obtidos pela destilação atmosférica veio criar o ingrediente fatal para o aquecimento global; gasolina, oleo diesel, querosene, óleo combustível, lubrificantes, nafta, gasóleo, dissolventes, parafinas, alcatrão (asfalto) coque, xisto, fertilizantes e o famigerado plástico um horror de produtos altamente poluentes usados em queima, em gases poluidores ou dissolvidos na terra e nas águas.
Grandes meios de transporte chamados petroleiros que têm destruído todo os grandes ecossistemas ainda virgens da poluição, nos grandes desastres em que estes se partem em duas, três, ou mais partes derramando todo o inferno destruidor que trazem alojado nas suas entranhas.
Poluição dos rios até em áreas remotas como o Amazonas, alta degradação da terra de cultivo onde o uso do DDT foi tão grave que este foi proibido, o corte das grandes florestas.
Aletrina, Tetrametrina, Permetrina, Peroxido de Hidrogenio, Alcalinizantes, Sulfonato de Sódio, Solventes Minerais e todo um conjunto de nomes estranhos que nem temos a preocupação de ler, mas que entram em nossas casas como desinfectantes, inecticidas, lixívias, desodorizantes e muitos mais tudo produtos que causam hipersensibilidade cada vez maior ao homem no lidar o dia-a-dia com estes e que por força da sua fabricação já causou um dano trilhões de vezes maior ao nosso planeta.
Todos estes produtos e muitos mais estão tão inseridos na nossa vida e têm nos dados grandes níveis de conforto que os nossos ancestrais nunca tiveram, que difícil vai ser tirá-los do nosso quotidiano.
Todos sabemos que se tal acontecesse seria o caos final.
E os dirigentes de todas as nações têm melhor que nós a percepção dura do que se passa.
Os tratados firmados entre todos o países como o Tratado de Kyoto para a redução da emissão de gases que provocam o efeito estufa vem-nos mostrar que infelizmente os dirigentes de dois dos maiores países industrializados, USA e Austrália, não aderiram alegando problemas económicos.Como é falsa esta alegação. E os outros países que aderiram não terão o mesmo problema económico?
A politização do estado de saúde do nosso planeta vem mais uma vez mostrar-nos a falsidade, que sempre regeu o homem.
Há que criar comissões ou com qualquer outra designação, mas organizações que tenham o poder de controlar e criar medidas severas para com os países poluidores.
Há que encontrar substitutos não poluentes como por exemplo o hidrogeneo que na sua combustão só emite água e calor.
O homem tem essa grande capacidade de inovar e realmente temos assistido a grandes descobertas para esse melhoramento.
Simplesmente o grande capital não permite a continuidade desses objectivos e só os irá apoiar quando encontrarem neles mais fontes inesgotáveis de receitas que possam substituir as que perderam como o esgotamento ou proibição da emissão de gases poluentes.
Há que começar já e não esperar pelas grandes catástrofes que se avizinham e que serão irreversíveis.
O que está em causa é a sobrevivência da nossa espécie, é a sobrevivência de tudo o que tem vida no nosso amado planeta.
Mas se continuarmos assim este nosso planeta irá desaparecer, irá matar todo o ser vivente existente.Ele continuará até ao fim dos dias, mas será mais um planeta deserto no nosso sistema solar.
(*) Victor Jerónimo Membro 550 da APP - Associação Portuguesa de Poetas; e do GPL - Gabinete Português de Leitura de Pernambuco, Recife/Brasil.
Vice-Presidente da AVSPE - Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores.Esta crónica foi escrita especialmente para o Evento da Semana do Meio Ambiente realizada pela AVSPE.
(http://www.avspe.eti.br/eventos/ambiente/semanadomeioambiente.exe )


Publicado no Jornal Mundo Lusíada


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NO RESCALDO DA SEMANA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE (2007)
Victor Jerónimo
Termina hoje oficialmente a Semana Mundial do Meio Ambiente. Por todo o mundo, houve palestras, discussões, manifestações, alertas, plantio de arvores, mostras de arvores raras, tudo como forma de consciencializar as pessoas e mostrar-lhes o que já é óbvio (só não vê quem não quer) de que o nosso planeta está uma autentica lixeira.
E se você não acredita e é como S. Tomé, ver para crer, experimente ir para lugares inóspitos, daqueles onde só se chega de 4x4 e depois mais uma grande caminhada e garanto-lhe que alguma garrafinha ou saquinho de plástico você irá encontrar.
Embora tudo seja discurso de circunstância e para a maioria dos políticos seja mais um item a cumprir na sua agenda, os gritos de alerta, manifestações, etc, etc, já são passos importantes para a consciencialização e há que realmente passar da palavra à pratica, começando já pelas escolas com disciplinas sobre o meio ambiente.Entretanto os G8 em Heiligendamm, Alemanha, fizeram um acordo para implementar cortes "substanciais" na emissão de gases do efeito estufa, conforme afirmou a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel."Em termos de alvos, concordamos com uma linguagem clara...que reconhece que os aumentos nas emissões de CO2 devem primeiro ser interrompidos e depois seguidos por reduções substanciais", disse Merkel a repórteres durante a reunião no balneário de Heiligendamm.
Segundo ela, os países do G8 concordaram em "considerar" a meta dela de um corte de 50 por cento nas emissões até 2050. Mas os líderes não parecem ter se comprometido a metas específicas.
Os EUA têm resistindo às tentativas de Merkel - que comandou a cúpula - de fixar uma meta específica sobre os cortes necessários aos esforços para combater as perigosas alterações no clima.Mas o acordo, todavia, não estabelece metas especificas para a redução mas sim um principio não vinculativo, defendido pela União Europeia, Canadá e Japão, de que essa redução seja de 50 por cento até 2050.E os EUA não se vincularam totalmente entrando no acordo mas com reservas.
Um dos países mais poluidores do nosso planeta e que tem sofrido com as forças desenfreadas da natureza como os furacões entraram no acordo mas com reservas e propondo um novo ciclo de negociações sobre o clima.
Mas talvez eles tenham razão. A tentativa de construírem um escudo de defesa antimíssil que teria parte de seus componentes instalados no Leste Europeu vem nos mostrar que o nosso planeta pode virar em um segundo um planeta mais brilhante que mil sois.Recife, 08.Jun.2007

NASCI TÃO LONGE


(foto de Hernán Zin)


NASCI TÃO LONGE
por Victor Jerónimo

E tu aí tão perto de todas as guerras, fazes-me sentir culpado das ameaças que não vivi.
É certo que a minha geração também sofreu na carne e no espírito os horrores das violações, das bombas, das minas, das balas perdidas na defesa de terras longínquas que diziam ser nossas e apenas porque tivemos o mérito de as descobrir ou terá sido achar? E tu aí tão perto de todas as guerras, fazes-me sentir culpado das ameaças que não vivi, dos sofrimentos sem fim, das bombas enviadas pelos céus de nações que se dizem amigas e que apenas procuram sugar o ouro da tua terra. Homens-bomba a que lhes foi ensinado que o paraíso espera recheado de coisas belas por eles. Até na morte há a ganância de conquistar esse paraíso.
O uso indiscriminado das religiões onde nem uma se salva na procura da Paz terrena. O inculcar do sofrimento ao homem dizendo, pregando que isso é natural como se houvesse prazer no sofrimento.
A educação prenhe de maldade que incute a um pequeno ser o ódio e o transforma numa maquina de matar, seja para roubar ou para salvação da alma, seja para matar a fome ou pelo simples prazer de matar. E tu aí tão perto de todas as guerras, fazes-me sentir culpado das ameaças que não vivi, da fome que não senti.
E com isso sinto-me um homem vil, déspota, com a desgraça lambendo-me as raízes do pensamento, porque não lutei, nem com as palavras. Cobarde acobertei-me nas asas do corvo e calado segui todos estes anos mirando os horrores à minha volta. Não gritei, não fiz ouvir a minha voz, não soube dizer Não, não soube dizer BASTA.
E tu aí tão perto de todas as guerras com o teu corpo ardendo, com tua alma descendo aos infernos, não sabendo o porquê do que te fazem, já não acreditando no que te dizem. E tu aí sem saberes o porquê terminam com tua vida no fogo do inferno.
E eu que nasci tão longe miro em uma foto o teu ultimo sopro de vida. Com pena, com tristeza, talvez com um pouco de horror.
Mas que fazer? eu que nasci tão longe...

Victor Jerónimo



Letras sem nexo e num amplexo

Letras sem nexo e num amplexo
Victor Jerónimo
"Eu gosto tanto de si", "tenho-lhe tanta amizade" e outros disparates que costumamos ler nesta net.
Nada há de mais perigoso que as relações de amizade na net.
Andamos, vegetamos por aqui, queimando tempo e saúde numa ilusão que só termina com a morte.
A dedicação de uns é a paranóia destrutiva de outros. Quem aqui anda anos e anos seguidos vai conhecendo o género humano, acreditem bem melhor no que no real.
Ponhamo-nos como integrantes activos de uma comunidade mas também como observadores. É essencial este observador, para não cairmos no jogo e no logro das seduções e leremos de pessoas que nunca sequer falaram conosco estas ou outras frases parecidas "Eu gosto tanto de si", "tenho-lhe tanta amizade". Se a nossa disposição estiver para o carente aceitamos imediatamente esta afirmação e tentamos mostrar que ainda gostamos mais. Mas se estivermos ali como observadores imediatamente nos aflorará um sorriso de pena acompanhado do inverso, do mal estar, quer dizer, não sabemos se havemos de rir ou chorar.
Esta net está povoada de pessoas carentes, mas também de pessoas maldosas, de vigaristas, de mentirosos e até de assassinos.
Pessoas que inventam situações da sua vida que não têm nada a ver com a realidade, pessoas casadas que se dizem solteiras, operários que se dizem engenheiros, iletrados que se dizem doutores, não esquecendo os ditos jornalistas ou filhos destes que não passam de meros vendedores da banha da cobra.
E ai de quem entrar na net com boas intenções, pois seremos logo crucificados na primeira oportunidade e se nos mostramos bonzinhos ainda podemos levar o rotulo de paneleiro ou outro ainda bem pior.
Há-os por aqui com capa de anjo mas prontos a saltarem e filarem a sua presa na primeira oportunidade e se não o conseguem vai de arranjar uma trama ou tramas para queimar esse individuo.
Depois há que recolher as garras mostrar-se bonzinho e se souber escrever colocar alguns textos a circular sobre problemas psicológicos que atinjam o visado mas sem mostrar que é para ele.
No outro dia vi um paspalho por aí dizendo-se aviador de grandes rotas, que hoje está na América e amanha na China, mas será que o coitado leva o PC quando comanda o avião e está constantemente na net? Coitados dos passageiros ou coitados de nós que acreditamos nele.
E aquele solteirão que é casado há trintas e tantos e cheínho de filhos e netos?
Se andamos tanto tempo aqui como ainda podemos ser enganados assim?
É a nossa disposição o nosso lado bom e carente que nos leva a este desplante muitos deles carnavalescos.
Muita seriedade há nesta net "felizmente" mas que aos poucos e poucos os levam a um afastamento parcial e muitas vezes total. Estes felizmente ou infelizmente vêm a ilusão em que andam e como a maldade e inveja aqui é tanta preferem afastar-se até porque o andar aqui periga e muito a saúde.
São as inactividades totais de longas horas onde o que apenas mexe são as mãos e os olhos, é a leitura de tanto disparate e isto para não falar daqueles que algo inventam para destroçar as boas almas é o sentirmo-nos invejados.
Agora... fico-me por aqui.
11.mai.2007

HIPOCRISIA?

HIPOCRISIA?
Victor Jerónimo
Em nome dos valores (?) da má educação, estamos actualmente a assistir a cenas deploráveis com o uso de palavras de má índole.
E por favor não proteste, porque corre o risco de ser chamado, hipócrita, ditador, censurador, etc.
Bem sei que, a forma como o mundo se apresenta, a vontade é imensa de dar o nome aos bois, mas por favor, tenhamos maneiras, pois a educação continua a ser o maior valor que temos para transmitir aos nossos descendentes. Será isto hipocrisia?
Em nome da arte maior das letras, as pessoas estão a permitir-se usar o calão e o mais grave, como acontece em todos os males deste mundo, as pessoas deixam-se arrastar ou ficam fechadas nos seus casulos com medo de protestar.
Se ao poeta tudo é permitido na arte de poetar, não quer dizer que numa mensagem ele faça uso dessa liberdade. É como um pintor pintar nus, mas não é porque os pinta que ele vai aparecer nu em publico.
Existe uma grande diferença na arte nobre de escrever e na de uma simples mensagem ou artigo, em que as expressões devem ser comedidas e não partirmos para um rol de ofensas a maioria das vezes sem necessidade.
E não estou a ser retrogrado ou de fora da época.
Em tudo há ocasião e momento, mas não usemos essas ocasiões para ofendermos a quem não o devemos fazer.
Mais grave ainda é quando essas ofensas partem de pessoas que têm uma responsabilidade no meio social onde estão inseridas.
As pessoas chegaram ao ponto de já não se contentarem com ofensas pessoais e partem para a agressão através de palavras ao seu próprio país.
E vejamos que quem escreve um protesto não necessita de usar palavras de má educação, pois ao fazer isto está afinal a ser igual ao objecto do seu protesto, está a descer ao mesmo nível dele.
Vejamos que a palavra escrita fere mil vezes mais que a palavra dita. Estamos em um meio literário e onde a ofensa não é necessária. Aliás quando ofendemos com palavras de má índole, estamos a usar palavras que significam muitos males e se rodearmos essas palavras e as transformarmos noutras estaremos a contribuir para o nosso próprio desenvolvimento pessoal.
É muito fácil usar uma palavra ofensiva, o difícil é darmos uma tradução a essa palavra.
Vamos pois contribuir para o melhorar da comunicação entre os nossos semelhantes.
10.Fev.2007

A MALDADE OU O PRINCIPIO DO FIM?

A MALDADE OU O PRINCIPIO DO FIM?
Mensagem de Natal 2006
Victor Jerónimo

Este ano de 2006 irá ficar marcado como o apogeu da maldade ou o principio do fim?.Não o fim do mundo-globo, mas o fim do mundo que conhecemos e se transformou no apogeu da maldicência humana traduzida em palavras ou gestos.
O mal é como um rastilho e quem o começa sabe bem que este se irá propagar rapidamente arrastando consigo outros pequenos rastilhos até à explosão final.Se o bem se propagasse com a mesma intensidade teríamos um mundo de Paz, mas tal não acontece.
O bem demora a construir e faz o homem desconfiar antes de avançar nesta senda, o bem torna as pessoas desconfiadas, antes deste se mostrar em toda a sua pujança.
Isto é o fruto de estarmos tão habituados ao mal que quando nos acenam com o bem, desconfiamos.
As pessoas de boa vontade são tão assediadas pelo mal que terminam fechando-se em casulos para se defenderem. A maldade consegue retirar o poder da meditação, da verdade e da isenção.As maldades conseguem tirar-nos a capacidade de analisarmos com isenção o que se passa à nossa volta e consequentemente com o nosso semelhante. Esta é terreno fértil para muitas vezes defendermos o mal, na crença do bem, sem analisarmos profundamente a parte acusada levando-nos a atitudes impensadas.
A maldade disfarça-se e se mostra nossa amiga para no tempo certo nos desferir o golpe e açoitar-nos com o descalabro próprio dos rancores e invejas há muito reprimidos nas suas almas sórdidas.
Todos somos responsáveis pelo que fazemos e mais cedo ou mais tarde pagamos no dobro o que fizemos. Pudesse o homem ter o bastão da verdade com certeza a maldade seria dominada.
Mas infelizmente vem do fim dos tempos a pendência quase total da humanidade para o mal e agora estamos pagando bem caro os erros que cometemos.
"Filho contra pai, pai contra filho, irmão contra irmão" assim foi escrito e assim está a acontecer.
Tudo vem do inicio dos tempos e na historia de Caim e Abel foi magnificamente descrito o que sempre aconteceu mas que agora atingiu proporções catastróficas.
Crises de terror, violência, depressão tudo isso está a voltar e já nem as religiões conseguem apaziguar os corações, pois também elas foram acometidas do mesmo mal com a agravante de aos poucos estarem a infundir nas pessoas o terror, num retorno aos séculos passados, isto como se não bastasse todo o mal que nos aflige e preocupa.
Poucas são as pessoas sensatas que se apercebem e se analisam tentando entender o que realmente de mau está a acontecer. Serão estas pessoas que talvez vão conseguir parar ou diminuir toda esta maldade.
Mas cuidado com os falsos profetas pois no ordem da Criação só mesmo os limpos conseguirão entrar.
Resta-nos a nós simples mortais esperar e meditar sem cessar.
Que as tramas ditas espirituais ou de religião não impeçam essas pessoas de conquistar o bem.
Lembremo-nos que temos uma geração herdeira e que são eles o reflexo do nosso bem ou mal amanhã. Há que preparar-lhes o caminho para o bem e ensinar-lhes como se combate o mal.
E que este combater não seja de armas mas sim de ações e por isso há o dever de cada um de nós o começar na sua própria casa.
Termino com duas grandes citações:
“Quando as águas da enchente derrubam as casas, e o rio transborda arrastando tudo, quer dizer que há muitos dias começou a chover na serra, ainda que não nos déssemos conta”. Eraclio Zepeda
"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."(Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)
Meditem e orem sem cessar neste Natal e que o ano de 2007 possa ser o começo do ano da verdade.
Victor Jerónimo
20.Dez.2006

RECORDAÇÕES

Comboio com máquina a vapor


Ponte da Foz do Cerejo da Linha da Beira Baixa no vale do rio Tejo

RECORDAÇÕES
Victor Jerónimo

Aqueles três meses de ferias escolares eram sempre ansiados pela pequenada do meu tempo pelos chamados Lisboetas e onde muitos de nós íamos passar férias com os nossos avós noutra dimensão e onde a liberdade era quase uma constante.
Tudo começava com os meus pais fazendo a malas cheias de roupas e cestos vazios a devolver aos meus avós que na retorna viriam carregados de produtos cultivados na santa terra, ou de enchidos feitos por eles que tão bem sabiam semear ou criar animais.
Em dia aprazado lá íamos carregados de malas e cestos apanhar o autocarro da carreira 9 em direcção à estação de Santa Apolónia.
Aqui havia as bichas intermináveis nas bilheteiras com sacos, malas, cestos, garrafões tudo à mistura propriedade dos viajantes que ansiavam por serem os primeiros a entrarem no comboio e apanharem o lugar que todos julgavam mais confortável na sua imaginação.
Quando chegava a nossa vez o pai falava pro bilheteiro: "três de 3ª classe para o Fundão". E lá abalávamos com as pesadas malas quase em correria para a gare para apanharmos o comboio com duas horas de antecedência da hora da partida, este já com muita gente ocupando os seus melhores lugares, que são aqueles no meio da carruagem e onde o ponto de gravidade é menor e não balança tanto.
As carruagens eram de madeira com bancos corridos e portas nas extremidades, por fora havia um degrau a todo o comprimento da carruagem por onde o revisor passava de compartimento em compartimento para picar os bilhetes.
Cada carruagem tinha uma placa de madeira que mencionava o destino, pois quando chegávamos ao Entroncamento havia carruagens que se iriam separar, umas com destino à Guarda, outras para o Porto. Era a forma de economizar na época, no aproveitamento de um único comboio que a meio da viagem se partia em vários para outros destinos.
Ocupávamos então os lugares que o meu pai achava serem os melhores. A mãe tirava uma manta da mala para colocar no banco e tornar mais confortável a viagem de nove horas em bancos de madeira.
O pai arrumava as malas e os cestos que ocupavam a bagageira toda acima das nossas cabeças e quem viesse depois que se amanhasse.
Ali ficávamos esperando pela 23 horas, hora da partida, que podia não ser, do comboio que iria percorrer ronceiramente quase 300 km.
Entretanto o pai ficava à porta esperando encontrar alguém conhecido que fosse para o nosso compartimento e assim tornasse a viagem mais amena através de conversas e recordações.
Então e com sorte o comboio partia no horário certo, apitando e muito lentamente aos poucos ía ganhando velocidade.
Era então uma alegria sentir que finalmente iria para as ferias tão esperadas em casa dos meus avós.
O comboio parava em toda as estações e apeadeiros, saíam volumes, entravam volumes, numa azafama constante de quem viaja “quase com a casa às costas” pois havia os que queriam mostrar que não eram tão pobres assim.
Quando o comboio chegava ao Entroncamento ficava parado uma hora nessa estação para mudar de maquina eléctrica para maquina a carvão e conforme o comprimento deste levava uma maquina à frente e outra atrás pois a partir desta estação iríamos percorrer muitas subidas.
Finalmente partíamos no meio de muita fumarada, entravamos na linha de sentido único que nos levaria ao Fundão. Aqui, mais paragens intermináveis em estações para aguardar o comboio que vinha em sentido inverso e muitas vezes sem cumprir o horário ou então esperar um senhor importante que se tinha atrasado.
Viajar nesta linha da Beira Baixa é contemplar uma bela paisagem que serpenteia pelas margens do Rio Tejo acima bordejando as suas águas.
Num comboio antigo com luz quase inexistente e em noite de luar a minha atenção prendia-se nos reflexos da lua nas suas águas que distraíam a minha mente ansiosa em chegar ao destino.
As conversas no compartimento diminuíam vencidas pelo cansaço e sono que a noite nos impunha e o comboio lá seguia ronceiro parando nas intermináveis estações e apeadeiros.
Lá para as tantas a porta do compartimento era aberta pelo revisor que pedia os nossos bilhetes, examinava-os cuidadosamente, não fossem estes falsificados, picava-os e devolvia-nos muitas vezes sem um boa noite sequer. Lembro-me de um revisor o Sr. Paginha um senhor careca e muito simpático que quando fazia essa viagem demorava mais tempo a falar com o meu pai e em geral com os restantes passageiros. Homem evangélico preocupava-se em transmitir-nos palavras de amor e fé.
Em Vila Velha de Rodão o comboio abandonava definitivamente o Tejo para começar a sua escalada em direção a Castelo Branco. O dia já começava a despontar e os olhos a clarear para mais um dia. O dia tão esperado da chegada.
Até Castelo Branco muitas vezes o comboio não conseguia vencer as subidas e lá ficávamos parados à espera que outra maquina chegasse e nos empurrasse em direção ao nosso destino.
Quando isso acontecia era o aproveitar para sairmos do comboio, esticar as pernas ou colher alguma fruta saborosa à beira da linha.
Finalmente Castelo Branco, capital da Beira Baixa, a partir daqui era o contornar interminável da Serra da Gardunha onde o comboio segue interminavelmente por aldeias e aldeias, até chegar ao Fundão.
Finalmente depois de 12 ou 14 horas, com horários que nunca eram cumpridos, chegávamos ao nosso destino, Fundão, capital da cereja, da Cova da Beira e de um dos vales mais férteis de Portugal, que tem como paisagem ao sul a Serra da Gardunha e ao Norte a Serra da Estrela.
Havíamos chegado e minhas ansiadas ferias estavam a começar.


O GAROTO

O GAROTO
Victor Jerónimo

Era um garoto imberbe que há pouco tinha deixado “os cueiros”. Não sabia nada da vida e muito menos de política, mas aqueles camaradas, eram tudo o que tinha na vida.
Aos poucos, entre o verdadeiro e falso, foram fazendo dele um novo camarada. Verdadeiras sessões políticas até às tantas da manhã, em verdadeiras lavagens ao cérebro, foram fazendo dele um candidato a herói.
Garoto imberbe, tornado membro do partido, na clandestinidade.
Começou a distribuir panfletos pelas caixas do correio dos moradores da cidade. Falava em surdina com outras pessoas, mas sempre de olho bem aberto não fosse algum bufo passar e ouvir.
Mais tarde começou a escrever para o jornal do partido na clandestinidade, artigos políticos, contra o governo. Começou então a ficar na mira da polícia. Um dia prenderam-no.
Torturaram-no pelo sono, pela estátua, pela água, pelos choques elétricos. Mas sua boca permaneceu fechada. Não resistiu.
Garoto imberbe que há pouco tinha deixado “os cueiros”, virou herói e... morreu.
Com direito a notícia no jornal.
Foi encontrado já sem vida, na Rua da Morte o Senhor Fulano de dezenove anos. A polícia pensa que foi assassinado numa rixa de bandos.
Passaram os anos. Hoje o Sr Fulano nem recordado, é; aliás, um amigo que lhe restou recorda-o, mas não o pode provar. As poucas notícias acerca dele, pereceram num incêndio que houve lá no partido.
Os camaradas... esses... hoje, governam o país e não têm tempo para recordações tão singelas.
Coitado, devia ter tido mais cuidado, o garoto.

Lisboa, Dezembro/2003