07 Outubro, 2009

Maus tempos se aproximam.

Maus tempos se aproximam.
Por Joaquim Evónio*

PORTUGAL: É entendimento geral que aos Poetas do Mundo cabe um importante papel na filosofia da Paz. Bom seria, parece-me, que essa missão se afastasse da apreciação de casos concretos actuais mais ou menos mediáticos, num distanciamento proporcionador de perspectiva, como fonte de pedagogia global e não como foco de incêndio de qualquer das partes em conflito.
Maus tempos se aproximam. O optimismo ensina que amanhã pode ser sempre pior que hoje.
A crise da globalização financeira, versão moderna que terá tido os seus primórdios nos salteadores de estrada escondidos nos pinhais doutros tempos, vai incrementar de modo significativo todos os conflitos, intra e extramuros. São presságios a desenvolver e investigar para fins cautelares.Afinal estão na moda palavras que pertenciam à reserva do léxico: proteccionismo, xenofobia, clientelismo, nepotismo, corrupção, egoísmo e etnocentrismo. Para já não falar na concepção antropocêntrica do Mundo.
Políticos de todas as latitudes unem-se para salvar o umbigo próprio e o dos amigos cúmplices.
Há uns meses tentei resumir essas preocupações no texto anexo: 'Neguentropia, Altermundialismo e Direitos Humanos'.
Também me parece verdade que não vale tudo e que o próprio conflito gera regras para o seu exercício, abordagem a que dediquei algum tempo nos anos oitenta do século passado, sob o título: 'A Função Unificadora do Conflito' (ver em Ensaios)
Votos de que a Paz Universal venha a tornar-se o cimento de toda a convivência entre pessoas, países e religiões.


NEGUENTROPIA, ALTERMUNDIALISMO E DIREITOS HUMANOS.
Por Joaquim Evónio*

Quase tudo está dito, de forma descritiva, interpretativa ou apologética, sobre os Direitos do Homem e respectivo Estatuto mas, como diria Pessoa, só falta cumprir... a Humanidade.
Há pois que entender que o Espírito da Lei e a Consciência Ética deverão ser prevalecentes sobre o seu conteúdo, sob pena de não chegarmos a parte alguma e de contribuirmos para desacreditar a própria lei.
Chamo assim a atenção para a moldura geral em que me parece deverem ser reiterados e repensados os Direitos Humanos.
A globalização que ora percorre a Aldeia Mundial, em si própria, só se tornará perversa se assim o quisermos ou consentirmos.
Reflictamos sobre a Morada em que vivemos para passar o testemunho.
O Homem é o único ser vivo com capacidade para vencer volitivamente a 3.ª Lei da Termodinâmica. Situado num ecossistema de que também faz parte, tem capacidade para o alterar e instabilizar, tanto para o bem como para o mal.A Terra pertence igualmente a todos e não reconhece favoritos.
Há pois que salvaguardar o planeta, nossa morada, de todas as ameaças que vimos acumulando. O diagnóstico está feito. Que esperam os grandes poderes que nos conduzem para o abismo?
GLOLOC significa a preocupação com os grandes espaços e, simultaneamente, com as mais pequenas Comunidades. O Global e o Local terão de conviver em harmonia sinérgica.Cada comunidade, por mais pequena que seja, pode constituir-se como pólo de desenvolvimento cultural, no sentido civilizacional. O desenvolvimento não é um crescimento maior, mas uma mudança de sinal, baseada em alterações ou ajustamentos estruturais. E de mentalidade também.
Quando gerimos comunidades e queremos salvaguardar um futuro próspero ou feliz, temos de tomar, hoje e antes que seja tarde, as devidas medidas estruturantes.Quem tem força para fazer a Guerra, terá de usá-la prioritariamente para fomentar ou instaurar a Paz.
Haveremos de continuar a viver num contexto em que os factores geográficos são os mais estáveis, dando origem a diversas correntes geopolíticas.Pena que, como já alguém disse, o Homem tenha alcançado o domínio da técnica antes de atingir a dignidade humana.
Cada país terá de aprender a encarar os outros países da mesma forma que o eu deve comunicar com o outro: de igual para igual. Trata-se apenas de transpor o conceito de Alteridade para o do convívio global. A isso se chama Altermundialismo.Nas relações bi ou multilaterais, necessário se torna esclarecer e fortalecer a identidade pessoal, bem como a identidade cultural das comunidades, pois só assim é possível compreender e respeitar o outro e as outras comunidades.
Claro, o economicismo e as ciências físicas ter-se-ão sobreposto às humanas. Há que inverter o processo enquanto for tempo, o que quer dizer desde já.Ainda há dias li algures que para salvar o Homem o Mundo terá de deixar de ser antropocêntrico.
As Ciências Sociais, ou Humanas, têm pois um grande papel a desempenhar neste mundo tecnocrático e economicista.Aqui chamaria a atenção para dois conceitos distintos: o de Comunidade e o de Sociedade. Gemeinshaft e Gesselshaft, como lhes chamou o sociólogo alemão Ferdinand Tönnies.Na Comunidade prevalecem as relações de vizinhança, na Sociedade as relações por divisão de trabalho.
O Comércio Justo terá de ser uma realidade despida de qualquer hipocrisia ou proteccionismo. Estão em causa os magnos problemas da Humanidade. Há que praticar uma enculturação saudável e desinibida.
Um dia, um conhecido prémio Nobel da Literatura disse que a melhor maneira de construir uma ponte era mostrar aos habitantes das duas margens que tinham vantagem em encontrar-se. E a ponte apareceria feita.
Nós, poetas e prosadores, pensadores e filósofos de mar aos pés, seres de diálogo emocionados com a comunicação, somos verdadeiros construtores de pontes… E somos tantos… E elas serão tantas que todos esses tramos representarão nervuras virtuais percorrendo os céus, românicas ou góticas, desenhando uma abóbada virtual digna dum Nimeyer cósmico, apenas visível pelos iniciados que ali colocaram com acrisolado amor o tecido fino da palavra solidária!
Poderemos então dizer, com toda a propriedade, que temos capacidade para construir uma autêntica Catedral, Mesquita ou Sinagoga sobre os Oceanos, porto-de-abrigo e de encontro depois de tanto navegar…
E à Lusofonia, pelo seu reconhecido sentido ecuménico, estará certamente reservado um papel relevante na harmonização do mundo louco que ajudámos a edificar sobre as ruínas da dignidade humana.Os mares e oceanos, afinal, não passam de rios com as margens sedentas de pontes.
A Humanidade terá de ter um futuro pacífico pois, se não for pacífico, também não será futuro.
Isto se quisermos que os vindouros, e muitos deles já cá estão, propugnem a felicidade digna em vez da excelência enganadora.
A comunicação será sempre um “equivalente funcional do espaço e do tempo”, como me ensinou uma vez o sociólogo Wolf Dombrowski, da Universidade Católica de Kiel. Muito mais em situação de emergência, em que a informação se torna essencial.
No mundo globalizante em que vivemos, os traços fundamentais da soberania vão-se transmutando com o tempo. Mas a identidade não. A língua acabará por ser a sua marca mais perene, correspondendo à herança cultural profunda, depois do maior ou menor esbatimento de fronteiras ou união de economias que aparentem diluir a histórica geografia política.
As línguas comportam-se como organismos vivos, através dum longo processo de construção, desconstrução e releitura espacial e temporal. O seu múnus, no entanto, parece projectar-se sempre na quase intemporalidade do futuro longínquo, expandindo as marcas indeléveis da sua origem.
Se o mundo que Toynbee dividiu em duas eras históricas – pré e pós-gâmica – vier um dia a reconhecer-se numa bandeira comum, a esta não poderá faltar a presença da lusofonia, enquanto cimento e sinal de paz e união.E que a “Última flor do Lácio”, de Bilac, estenda as suas pétalas, quais velas donairosas, às catedrais, mesquitas e sinagogas de todo o mundo.
Assim se cumpra a vontade dos Poetas do Quinto Império, que se dão as mãos, ondas, braços do oceano e se aprestam a navegar por esses mares sem fim, por mais desafiadoras e turbulentas que sejam as águas.Ainda vale a pena sonhar e, como “o trabalho não é uma alienação”, esperemos o dia em que capital e trabalho, irmanados nas suas responsabilidades e objectivos, se sentem amigavelmente num banco de jardim, admirem as flores e escrevam o Poema do Futuro.
Um mundo global clama para uma pedagogia global que, junto de cada um de nós e de todos, evidencie e propugne os valores incontornáveis do ambiente e da identidade do eu e do outro, tudo projectado para a escala maior da Humanidade.

Joaquim Evónio POETA del MUNDO:

27 Fevereiro, 2009

A LEALDADE

Trancrevo com as devidas venias este magnifico trabalho do grande escritor português Carlos Leite Ribeiro


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LEALDADE

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro





Lealdade, é um dom que Deus deu a todos, embora nem todos saibam exercitá-lo. Lealdade, é a qualidade de ser sincero, fiel e leal. Lealdade, é um sinal de uma verdadeira amizade.Essa palavra Lealdade...

Penso que Lealdade significa sermos verdadeiros com nós mesmos. Penso que significa sermos absolutamente fiéis à filosofia de vida que escolhemos. Penso que Lealdade significa sermos absolutamente leais aos nossos princípios e aos compromissos assumidos com outros, para podermos ser verdadeiros em relação ao que melhor há em nós. No entanto, vivemos num mundo cheio de males, mentiras, invejas e traições, procurando sempre elevar o nosso ego, mesmo traindo nossos ideais e o que é mais belo da amizade.

A Lealdade requer reflexão. Não é uma virtude fácil, nem uma questão de emoções nem de sentimentos. Inicialmente, é necessário reconhecer os vínculos implícitos em ser uma pessoa, um ser sociável com necessidade de melhorar e crescer durante toda a vida e de ajudar aos demais a fazer o mesmo. A pessoa humana não dispõe de uma maneira mais radical nem mais solene para comprometer-se que dizer “sim”. Às vezes se dá a palavra sem pensar bem nas consequências e nas possibilidades reais de cumprir, ou pior, sem intenção de cumprir com o dito. Só se é realmente leal quando se está sujeito a alguém ou a algo. Aí, onde mesmo um sonho pode ser senhor. Na sujeição de quem serve uma causa, na sujeição de quem se submete a um chefe, na sujeição à pessoa amada, na sujeição do sentimento e na sujeição do dever, no sacrifício da liberdade, da razão e do interesse. No desperdício e no desprezo do que está à vista e do que está à mão, é nesta desagradável situação que se acha ou não acha a lealdade. É por ser selvagem e servil, mas só a um senhor, que a Lealdade tem valor. É muito difícil ser-se leal, mas só porque é muito difícil seguirmos o coração. A Lealdade é um amor que esquece o mundo.

A Lealdade é um dos pilares que sustentam o real valor do homem. A Lealdade é a verdade do sentimento: é impossível ser desleal sem mentir à consciência, sem ludibriar a consciência alheia. A verdade básica da vida está no que as pessoas pensam e sentem a seu próprio respeito. Ao contrário dos animais, muita gente tenta enganar aos outros e até a si mesmos, sem perceber que agindo assim, só se prejudicam. As relações de amizade tornam-se mais reais quando as pessoas não mentem a si mesmas, embora a verdade, às vezes, se torne dura de ser aceita. Quanto mais esperta uma pessoa for, mas há de perceber que sendo leal, facilmente conseguirá da vida aquilo que deseja. Coloque a Lealdade e a confiança acima de qualquer coisa; não se alie aos moralmente inferiores; não tenha receio corrigir seus erros.

De acordo com as definições mais comuns lealdade é : “propósito ou devoção de fidelidade a alguma pessoa ou causa”. Constitui algo que entregamos a terceiros por escolha e convicção. Em tese, ao leal importa a crença, a admiração e o apoio incondicional a outrem. Ser Leal é ser a favor da conformidade e consistência, agir de uma maneira sistemática e uniforme, e assumir responsabilidades. Se você reconhece as suas fragilidades, você é forte. Algumas amizades têm a duração de uma vida. Qual é o segredo? A resposta é muito simples: Lealdade. Essa é daquelas qualidades que mais encabeçam as listas de todas as pesquisas sobre o que as pessoas mais apreciam em seus amigos. Parece tão pouco, mas ser Leal é mais importante do que ser franco. Porque franqueza é dizer o que tem que ser dito. Lealdade é a capacidade de estar junto, haja o que houver, de ser honesto. Quantas amizades morreram por causa da deslealdade?! Lealdade é guardar segredos, nunca passá-los adiante. Trancar a sete chaves as confidências de quem um dia decidiu pensar em voz alta ao nosso lado. Os bons amigos fazem promessas e as mantêm vivas na mente, esforçando-se para cumpri-las. Ser Leal é assumir o amigo e andar com ele seja por onde for, porque nenhum caminho é longo demais quando um amigo nos acompanha.




Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

13 Abril, 2008

UM PORTUGUÊS MODERNO

Victor Jerónimo

Nasci numa família monoparental ali prós lados da Laranjeira. Sou um produto dos tempos modernos sim senhor, não gostam?

Quando criança diziam que eu tinha um comportamento disfuncional hiperactivo, na escola era uma criança de desenvolvimento instável. Olhem que coisa boa já não me chamavam burro nem traquinas.

Lá em casa tinhamos duas auxiliares de apoio doméstico a quem eu fazia a vida negra e quando a mamã chegava a casa cansada dos colaboradores lá no centro de decisão nacional, ficava toda feliz da vida ao ouvir as queixas das auxiliares de apoio doméstico. Eu então pulava no sofá todo contente e dava gritos mais altos que o Tarzan em apoio à minha mãe, levando-me a que no dia seguinte o meu comportamento disfuncional hiperactivo fosse ainda mais hiperactivo.

Lá na Escola eu era o terror dos auxiliares da acção educativa, riscando paredes, partindo vidros e fazendo com que eles corressem atrás de mim para eu parar com estas traquinices de menino de desenvolvimento instável.Um dia fui com a mamã ao Porto de comboio, fomos na classe Conforto e apareceu por lá um delegado de informação médica a fazer olhinhos à mamã.
Quando chegamos ao Porto fiquei trancado no quarto a ver TV e a jogar "games" no "notebook" da mamã enquanto ela e o delegado de informação médica estudavam qual o melhor medicamento para uma possível interrupção voluntária da gravidez.
Fiquei todo lixado com essa estória de ficar ali encarcerado e quando voltamos a Lisboa fiz a vida negra à mamã para que ela não correspondesse aos olhinhos de um técnico de vendas.

Como eu sofria de iliteracia, na minha juventude implementei um grupo de jovens que desancavam à porrada outros grupos de jovens lá na Praça Publica.

Alguns anos mais e apaixonei-me por uma senhora muito fina que tinha a profissão de alterne e comecei a facturar em politicas fracturantes para gáudio da minha conta bancária.

Hoje a minha postura é pró-activa e mostrei a toda a gente que não sou um invisualzinho da vida. Quando alguém me chateia faço-me inauditivo.
Recife, 13.Abr.2008
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Nota: Baseado em um mail que circula na internet e cujo teor transcrevo aqui.

PORTUGUÊS MODERNO

A NOVA LÍNGUA PORTUGUESA

Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar aos pretos "afro-americanos", com vista a acabar com as raças por via gramaticalisto tem sido um fartote pegado!

- As criadas dos anos 70 passaram a "empregadas domésticas" e preparam-se agora para receber menção de "auxiliares de apoio doméstico" .

- De igual modo, extinguiram-se nas escolas os "contínuos "passaram todos a "auxiliares da acção educativa".

- Os vendedores de medicamentos, com alguma prosápia, tratam-se por "delegados de informação médica".

- E pelo mesmo processo transmudaram-se os caixeiros-viajantes em "técnicos de vendas".- O aborto eufemizou-se em "interrupção voluntária da gravidez";

- Os gangs étnicos são "grupos de jovens"

- Os operários fizeram-se de repente "colaboradores";

- As fábricas, essas, vistas de dentro são "unidades produtivas"e vistas da estranja são "centros de decisão nacionais".

- O analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o passo à "iliteracia" galopante.

- Desapareceram dos comboios as 1.ª e 2.ª classes, para não ferir a susceptibilidade social das massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria continuam a cobrar-se preços distintos nas classes "Conforto" e "Turística".

- A Ágata, rainha do pimba, cantava chorosa: «Sou mãe solteira...» ; agora, se quiser acompanhar os novos tempos, deve alterar a letra dapungente melodia: «Tenho uma família monoparental...» - eis o novo verso da cançoneta, se quiser fazer jus à modernidade impante.

- Aquietadas pela televisão, já se não vêem por aí aos pinotes crianças irrequietas e «terroristas»; diz-se modernamente que têm um "comportamento disfuncional hiperactivo"

- Do mesmo modo, e para felicidade dos "encarregados de educação" , os brilhantes programas escolares extinguiram os alunos cábulas; taisestudantes serão, quando muito, "crianças de desenvolvimento instável".

- Ainda há cegos, infelizmente. Mas como a palavra fosse considerada desagradável e até aviltante, quem não vê é considerado "invisual=.(O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos - mas o "politicamente correcto" marimba-separa as regras gramaticais...)

- As putas passaram a ser "senhoras de alterne".

- Para compor o ramalhete e se darem ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em "implementações", "posturas pró-activas", "políticasfracturantes" e outros barbarismos da linguagem.

- E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a correcção política» e o novo-riquismo linguístico. Estamos lixados com este "novo português"; não admira que o pessoal tenha cada vez mais esgotamentos e stress.

Já não se diz o que se pensa, tem de se pensar o que se diz de forma "politicamente correcta".

E na linha do modernismo linguístico, como se chama uma mulher que tenta destruir a educação em Portugal? Ministra !

28 Fevereiro, 2008

...não sei construir sonetos

...não sei construir sonetos

Narcisos, não sei construir sonetos, imagino que existam pessoas que cresceram entre as métricas dos dois quartetos seguidos de dois tercetos, de modo geral contendo dez sílabas poéticas, entre as canções rítmicas dos ‘sonetos’ e seus contrapontos passo a passo pessoas se organizam: Vocábulo que deriva do latim "sonu", "suono" equivale a som no italiano.
Existem pessoas que dizem detestar olhar para um quadro abstrato e/ou surreal apontando para algo como de lá, absolutamente nada se pudesse se retirar... Quando sinto necessidade de uma certa manutenção de idéias procuro minhas próprias respostas com os sonetistas: É belo, observar a inclusão de uma metáfora dentro de um soneto não nas extremidades mas sim no centro de uma das frases.Procurando rimar internamente em determinadas situações, cada qual veste a cor da roupa lhe agrada em um determinado dia, da mesma forma que considero um “borrão” poderá existir sempre algo, solto e implícito no interior de uma tela. Há sempre algo livre entre pingos de tintas e nas palavras milimetricamente organizadas.
Existe uma ordem para tudo dentro da desordem e vice-versa.
Ninguém lida com a Arte a toa, ninguém tira uma foto de uma paisagem por mero acaso. Pessoas sensíveis se alimentam de Arte, buscando compensações nos momentos singulares de guerra e paz equilibrando-se nos muros da Arte.
Você pode escrever um soneto dentro de uma vontade inquebrantável desafiando a si mesmo: Encontrando uma forma de reforçar pensamentos que rodam em círculos ou demonstrar como se pode permanecer intacto dentro do caos.
Um soneto pode ser um reflexo do Amor:

Quem diz que Amor é falso ou enganoso
Luís de Camões

Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce, e é piedoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens, e inda aos Deuses, odioso.

Se males faz Amor em mim se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de Amor;
Todos os seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.

Até que ponto por aqui... não se tem: a reprodução ou representação de imagens do mundo visível? Da "arte não-representacional" ou "não-figurativa"... o amor é um elemento que gera "Distanciamento das aparências" em todos os aspectos.
O amor acolhe pessoas, quando um determinado número de aves no céu passam a se juntar no fim do dia e contar uma as outras sobre seus “causos”, a árvore-mãe hospeda todos os pássaros tendo que ter uma dose a mais de disposição construtiva, seus galhos funcionam com um poleiro (já pensou o que é segurar uma dança de pernas e garras entre os saltos de trampolins aqui e acolá?), tendo sobre si diversas espécies, naturalmente, todos têm direito de ensaiar, desafinar, desabar e/ou cantar maviosamente nos galhos de uma árvore. Algumas aves efetuam passagens-relâmpagos pela árvore, outras cansam de ficar por lá, outras discutem até se matar, outras observam os movimentos, enquanto outras se alimentam outras decolam, espalhando sementes, e outras que ficam por lá vão tecendo novos ninhos...
Penso que alguém que constrói um soneto de amor parte de um sentimento abstrato... quase palpável, navegando no imaginário procurando respostas no silêncio escova delicadamente palavras, procurando cheio de dedos atingir um alvo certo, passa pela “musicalização” dos sentimentos ao caçar-significações que se encaixem... isto é um dos dons de quem faz poesia, porém não basta escrever poesia, esta quando sentida algo Mágico chama atenção ao redor!
Lindas!?! São as letras que passam a ser musicadas e como é belo poder ouvir um sonetto* musicado!!!
Qualquer poesia sem sentimento verdadeiro funciona como uma carta falsa, como às vezes é mais fácil dizer um "te odeio", do que afirmar a meio mundo um: "eu te amo". Assim como nenhum filósofo não perde a oportunidade de (se) interrogar, pedreiros assentam tijolos, pintores pintam suas histórias, atores interpretam e confrontam partes de suas múltiplas facetas, alguns escritores se centram em heterônimos, cada qual instintivamente sabe como organizar sua fala.
Um profissional bem resolvido sente prazer em executar seu ofício que resulta na meta atingida, assim como os bons amantes da Arte reforçam todos aspectos avaliando os ruins, também se constroem a valorização de novas LINHAS DA VIDA. A Arte provoca um BUM! Mesmo não existindo um estado de neutralidade, tudo é sim ou não, o caminho central está nas expressões da interpretação dos cantos das metáforas.
A Arte pode jogar um sujeito para o estado de meditação que não deixa de ser um instante especial de “prece” de relig_ação com a Natureza, onde no meio das tempestades em pleno inferno, impulsiona alguém em minutos a sair do estado de dormência até alcançar um novo céu.
Portanto, posso pensar que neste instante não tenho o dom da arte de construir um soneto, mas isto não quer dizer que eu não traga mais de um soneto dentro de mim, às vezes quem me garante que não sou um soneto ambulante? Ou não necessite do apoio de algo semelhante, noutras horas?!? A partir do instante que olho um retrato de um dos reflexos de meu estado interior, não se confunde, meu eu lírico de trova_dor... caminha com todas as formas de sons e de versos. Aí, talvez esteja o uso da luz, nesta minha forma abstrata de desmembrar os contornos das linhas que caminham no espaço do tempo, entre cores ganhando nova expressividade demarcando o respeito perante as texturas em mais de um território (isto, faz parte do viver e do ser de um ser intertextual no mundo das Letras).
Ainda... não sei construir um sonetos, (os que tenho por aqui penso não estarem maduros para uma leitura), mas isto não me impede de querer e experimentar escrever ao menos um, cada qual pode admirar o faz e o que o outro faz, e se não o faz? Nem sempre existe a preguiça, ou uma crítica em torno de quem está se exprimindo, apenas a necessidade momentânea de se expressar.Às vezes, a vida de alguns pode se encontrar em um momento tão “metrificado”, que a saída encontrada é espalhar o aroma das rosas com espinhos e pétalas provocando alguma reação geral, o movimento de escuta e da indulgência para com o gosto dos outros se faz necessário em todas as horas, não é mesmo?
Se lhe dei mais uma rosa do meu jardim, construa os “seus sonetos”, com o sorriso d'alma dos brancos narcisos! Até que ponto a influência de objetos da realidade, não tentam representar a imagem de nada? Eis a resposta no meio deste mosaico surreal, porque os sinos de John Donne também dobram por você.
Nota do italiano sonetto* = soneto.
Rosangela_AlibertiSão Paulo, 19.II.06

PARÂMETROS LITERÁRIOS

PARÂMETROS LITERÁRIOS
Daniel Cristal

Chamar a atenção, não ofende; desenvolver teoria, não agride; sugerir não é insulto nenhum. Só será se o leitor, desejoso por polemizar, enfiar algum barrete pelo desleixo a que se vote, ou pela lassidão a que não reage. Porque pode retorquir na forma da polémica pacífica, mas sempre numa réplica que o dignifique aos olhos dos leitores em geral. Pois, mandar palpites, só o deve fazer nos jogos da sorte e do azar; do azar, sobretudo. Com muitas probabilidades de perder este jogo que emparceiramos, este que exige precisões de conceitos teóricos apurados, fundamentações, silogismos, estrutura crítica. Pode refutar, naturalmente, não esquecendo que, dos dados mal interpretados e mal desenvolvidos, serão espelhados na sua figura, e reverterão a seu crédito ou a seu débito, como se fossem estas as contas concretas, numa abstracção estética, que deve saldar no juízo literário final. É, por tudo isto, que vou espraiando a teoria que me serve de base, não tendo visto, até agora, algo de positivo ou verdadeiramente convincente, infelizmente para mim que sou ávido de mais avanços, com os quais eu pudesse aproveitar para melhorar o raciocínio fundamentado em parâmetros que vou (a)firmando. E, é, destarte, que volto à estesia poética:
Para conter excessos, é preciso criar um molde ou um recipiente para que o conteúdo seja cont(en)ido com Beleza. É nessa forma estruturada que também se faz a Arte. Sem forma o que pode ser moldado, fica disforme, e a deformidade é contrária à Beleza. Os melhores poetas, e os estetas que os comentam, dizem, sempre que podem e querem isso mesmo, e os aprendizes têm muita dificuldades em entender esta constatação. Mas, é preciso que interiorizem o alcance do que esta asserção pretende abarcar. Os amestrados no ofício, sabem muito bem do que falo. É esse o primeiro passo para que a obra de Arte seja entendida na sua verdadeira dimensão. Tudo o que sai deste parâmetro, é desmedido, desregulado e enfatuado; cria, efectivamente, enfatuamento, ou, em poucas palavras: aparece distorcido, isto é, deficiente. A verdadeira genialidade está em criar regras próprias que possam ser notadas e exemplares em novas escolas a criar, pautando-se estas por um mundo novo que gera novas consciências, e, mesmo, imperceptivelmente, procuram mudar comportamentos, ideologias, filosofias; a alteração dos psico-arquétipos está ao alcance do artista genial, e creio ser este o maior desafio que se lhe depara, e até ter extinguido esta possibilidade, na concretização constante e porfiada dos objectivos que traçou para o seu percurso na Literatura. Alcançando-a, alcança o topo da sua mestria.
Um precursor não é mais do que o que venho a afirmar há bastante tempo numa labuta permanente, porventura mal escutada; mas, continua e ainda não atingiu a meta final.

2007.Portugal

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«A grandeza da alma não é evidente aos olhos de toda a gente. Essa grandeza é mais ou menos pequena, diante dos que possuem uma alma em grau mais ou menos reduzido.Quando alguém se manifesta em frente do que é superior e belo, espelha no comentário a sua própria alma; pela positiva se incorporar uma alma desenvolvida, ou pela negativa, se a tiver num plano subdesenvolvido. Com efeito, a grandeza da alma é sempre apreciada em conformidade com a dimensão anímica de cada um.»

Daniel Cristal

25 Fevereiro, 2008

O DIREITO À PRIVACIDADE

O DIREITO À PRIVACIDADE
Victor Jerónimo

Uma das grandes máximas dos governos ditadores é tirar o direito à privacidade ao cidadão comum. Com isso o cidadão perde até o direito de pensar e se acaso ele pensa indivíduos especialmente treinados encarregam-se de lhe dar verdadeiros choques psicológicos ou medicamentosos para que a loucura se aposse do cidadão e assim in extremis este perca o direito a pensar este se transforme num louco ou num vegetal.
Nas democracias actuais passa-se quase o mesmo mas de forma mais subtil e democrata, tudo em nome da segurança nacional
Mas o que me trás aqui é o direito inaliável que estes governos me dão à privacidade interpares, isto é entre cidadãos como eu.
No dia-a-dia mesmo que não queira ouvir, ouço as "fofoquinhas" da vizinha do lado, dos passageiros nos autocarros e das próprias criadas que são pagas pelos patrões para estas o servirem mas que estas se encarregam de levar para fora tudo o que se passa na casa do patrão.
É triste que assim seja pois que o cidadão comum ao agir assim está a abrir o procedente para que outro vá falar dele e lhe viole a privacidade.
Os próprios mídias procuram cada dia mais noticias sensacionalistas para divulgar nos escaparates dos jornais e o cidadão habituado que está a isto vai agindo da mesma maneira na sua vivencia diária.
Já não bastava este disse que não disse na vida real para assistirmos aqui na net ao mesmo causo. Se eu escrevo para alguém é natural que o que eu lhe confio seja mantido em âmbito privado, não tendo essa mesma pessoa que repassar a outra o que lhe escrevi.
Faz parte da educação e do estar bem para com os seus semelhantes.
Mas hoje em dia tudo isso terminou, já não há mais privacidade e mesmo as leis que nos protegem não têm capacidade de actuação para resolver estes conflitos
E os delatores (no meu tempo de juventude chamavam-se "bufos") sabendo disto continuam a actuar impunes e a divulgar o que é de âmbito privado de cada um.
A net transformou-se no maior vespeiro das maldades da humanidade, disso não tenhamos duvidas.
É claro que há ainda alguns que prezam a privacidade e são os chamados “amigos” em quem ainda se pode confiar e desabafar, mas estes são pouquíssimos, uma jóia rara no meio da imundice.
O que eu lamento mesmo aqui é que os poetas e escritores que têm o dom da pena e da palavra embarquem nestes chorrilhos próprios de seres ignóbeis e sem qualidade sentimental.
É muito triste ver estes (poetas) alguns com grandes responsabilidades no meio literário, embarcarem nesta nau de imundice e colaborarem na divulgação do que se quer privado.
Todos temos defeitos, nem um sequer os não tem mas o poeta devido à sua sensibilidade deveria saber separar o trigo do joio e actuar em plano elevado de espírito e postura perante os outros.
Afinal o mundo tem os olhos postos neles e por isso estes deveriam ser motivo de exemplo para com o mais comum dos mortais.
É muito triste e cada vez mais preocupante que assim não seja pois estas atitudes nos levam cada vez mais a fecharmo-nos em casulos e a nem nos nossos botões confiarmos.
Não adianta pedir aqui que tentemos mudar estes estados até porque a falta de privacidade vem desde que o homem adquiriu o poder de pensar, cabe isso sim a cada um de nós termos muito, mas mesmo muito cuidado de saber o que falamos (escrevemos) e para quem o fazemos.
A net deveria ser um polo de evolução da humanidade, infelizmente, por vezes, não o é e todos contribuímos para que assim não seja.
O poeta que tem o dom da escrita e tem o poder de expressar em palavras os sentimentos e todo o mal que nos assola, prefere entrar na delação e tornar publico o que o seu semelhante lhe confidenciou em privado e muitas vezes usando palavras mínimas que depois são aproveitadas pelos grandes delatores para as transformarem à sua maneira.
Haja juízo senhores e senhoras.
É triste, muito triste e lamentável
Recife, 25.Fev.2008

15 Janeiro, 2008

EXAME DE 2007

EXAME DE 2007
Artigo de Daniel Cristal


Tudo o que previra realizar-se pela positiva em 2007, foi neste a concretização dessa previsão trabalhada: a notoriedade de uma obra feita paulatinamente, preserverante todavia, e teimosa na divulgação por este meio cibernáutico. Excedeu contudo as expectativas, ela colocou-me, como por artes mágicas, para culminar o trajecto, em todas as brochuras publicitárias do Teatro Trindade, nas suas vitrinas interiores e exteriores, nos placares das colunas dentro e fora, especialmente no seu frontispício virado para a Praça da Trindade desta Lisboa, emparceirado à observação geral por Baudelaire, Neruda, Pessoa e Florbela (*). Os intelectuais e universitários da cidade, especialmente aqueles que não perdem espectáculos culturais teatrais e outros tiveram ocasião de aproveitar para ouvir boa poesia com um bom «diseur». A Net também noticiou largamente este evento... Que felizardo me aconteceu ter sido durante no ano de 2007, nomeadamente de acordo com o que previra no final de 2006! Quem me lê conhece de certeza esse texto do final desse ano. Houve websites que continuaram a realçar a minha produção, porque bem vistas todas as coisas, são eles que excedem especialmente a sua grandeza, e vale a pena mencionar neste momento: Dor e Amor, Rogério Simões, Ecos da Poesia, Victor Jerónimo, Ver O Poema, o Liberal, Grace Spiller, Manuel Virgílio, AVSPE, Efigênia Coutinho, Mensageiros do Amor, Paulo Nunes, Sonetos.com, Bernardo Trancoso, e perdoem se me esqueci de mais algum. Claro que não menciono aqueles que desde o ano 2002, abriram as suas páginas para me acolher com orgulho e satisfação. Ainda que não os recorde pelos nomes aqui e agora, por não terem estado muito presentes em 2007, e porque seria uma lista longa de centenas de títulos, recordo-os, no entanto, de vez em quando, numa lista que tem como título Actualizações de Referências, e é enviada a centenas de listados nos meus grupos pessoais, e a outras entidades deste espaço virtual, organismos esses com uma enorme potência divulgadora mundial nas Literatura e Arte. Isto apenas quer dizer o que já disse Victor Jerónimo, e neste momento recordar com muita gratidão e honra: num lustro a Net proporcionou-me na forma modelar e revolucionária de ciber-escrita, a melhor, a mais convincente e grande viagem exemplar, transposta do mundo Virtual para o Real. Estou feliz por isso, ainda que esteja dependente de uma saúde fragilizada... por preocupações com o desgaste que o tempo vai cometendo sobretudo nas artérias do meu corpo. Não há dúvida que falta imprimir em papel a vasta obra já escrita, boa parte dela digitada. Este é o obstáculo que tenho de enfrentar e resolver em 2008. Porém, só acredito nele com uma boa base de apoio. E essa base encontra-se num mundo a conquistar: este, formado pelos apoios de pares, programação de saraus, encontros de poetas e um bom distribuidor de livros pelas bancas e livrarias.
Para além dos obséquios proporcionados em 2007 pela AVSPE, Ecos da Poesia, Rogério Simões, Liberal de Cabo Verde, Mensageiros do Amor, Manoel Vergílio, Sonetos.com, Ver O Poema, Paralerepensar, Grace Spiller, Blocos On Line, e que tenho de agradecer muito reconhecido, devo agradecer muitíssimo, e insisto neste reconhecimento, também e especialmente a Victor Jerónimo, ao realçar a inteligente e perscrutante notícia no seu Blogue, aquando do evento VINHO VADIO, um marco decisivo. O programa estava á vista de todos os peões da Praça da Trindade e junto ao café «A Brasileira» no Chiado onde Fernando Pessoa está sentado num corpo de metal escurecido. Vejam a foto:(*)







O que mais ressalto neste evento é o facto de constar nele, sem que eu conhecesse a origem da escolha. O acontecimento do realizador ter seleccionado a minha poesia, talvez (e diria isto com convicção) julgando-me Autor falecido, de contrário teria negociado como lhe competia os direitos de autor, e certamente ao ter-me descoberto na Net, pelos poderosos motores de pesquisa mundial, foi o grande sinal de que a Internet começa a ter efeitos muito vastos quanto a audiências com um público leitor muito interessado em Literatura, especialmente a Poesia. O teste foi feito, foi totalmente positivo, excedeu todas as expectativas, e. por isso, outra fase me espera: a realidade livreira para a qual não me sinto nada calhado, por completa ignorância dos meandros que é preciso percorrer, e vencer. Anexo uma página da brochura publicitária do Teatro Trindade, cujos autores estavam expostos à leitura nas colunas do dito Teatro, tanto no seu interior como no exterior, e onde aparece a anunciação do VINHO SADIO (*)






DA INTERNET PARA O TEATRO TRINDADE EM APENAS UM LUSTRO - A GRANDE VIAGEM DE DANIEL CRISTAL(artigo publicado no Blog e mencionado por Daniel Cristal, neste artigo)


DA INTERNET PARA O TEATRO TRINDADE EM APENAS UM LUSTROA GRANDE VIAGEM DE DANIEL CRISTAL


Falar de alguém da sua obra e da sua trajectória é-me extremamente difícil e por vezes essa análise pode ter pecadilhos involuntários, mas que são feitos de análise profunda do que tenho observado e visto.Armando Figueiredo com um altérnimo criado Daniel Cristal o homem escritor, poeta, contista, ensaísta e cronista laureado, deu um "salto" daqueles saltos que se dão sem se esperar, sem se contar com ele.Daniel Cristal que salta do espaço virtual para o espaço teatral, ou seja, da Internet para o espaço cultural da Lisboa cosmopolita. Analisando a sua trajectória veremos que Armando Figueiredo não era conhecido do vasto público lusófono nem sequer português. Era relativamente conhecido em alguns restritos espaços académicos, jornalísticos, isto porque investia muito pouco na conquista do espaço pertencente à Literatura, especialmente, à Poesia.Mas, hoje, a sua projecção da virtualidade para a realidade foi tal que não há nenhum espaço na Web onde não seja conhecido nesta específica área da Arte e do Saber. Armando Figueiredo versus Daniel Cristal passou do espaço virtual, chamado Internet, para a acção cultural do Teatro Trindade, que anima as noites poéticas de Lisboa neste mês de Novembro de 2007.Sem ter editado livros de papel que parecem não ser necessários para se estar nos grupos de vanguarda literária e ser bastante conhecido, citado e elogiado entre países separados por continentes, o seu percurso foi feito por empatias profundas geradas na Internet, nos chamados sites, websites, portais e blogues; efectivamente, pediram os seus donos, desde o aparecimento do Poeta na Web, poesias e textos seus para serem editados nos seus espaços pessoais, algunscolectivos, outros jornalísticos.Num lustro, desde a sua aparição na Net este Autor foi como um espectáculo humano numa viagem de comboio com passagem por muitas e variadas estações, com pessoas a entrar nele, a saudar, a dialogar e a conviver literariamente. Poucos se apearam, e, quando tiveram que sair, ficou na memória, na maior parte dos casos a afeição e admiração recíprocas. Realmente, o que mais primou neste convívio foi a empatia, e ela percorreu vincadamente e com elegância, todo este trajecto.Sei que o Autor se surpreendeu com este fenómeno, e não sabe se o há-de aproveitar para aceder ao público livreiro, mundo que nunca lhe interessou verdadeiramente, mas pensa que agora talvez seja oportuno e imperioso deixar algo que possa ser distribuído pelas Livrarias e Bibliotecas, aos leitores que o queiram guardar nas suas estantes para recordar, esses e outros leitores, que durante este lustro se tornaram leitores assíduos e fãs. O mundo leitor espera por Daniel Cristal e pela oportunidade de colocar na sua estante o(s) livro(s) há tanto esperado(s).

Victor Jerónimo
Vice-Presidente da Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores (AVSPE)
Membro da Associação Portuguesa de Poetas (APP)
Membro do Movimento Poético Nacional - Brasil
Editor e proprietário do Grupo Ecos da Poesia

18 Dezembro, 2007

NATAL 2007

NATAL 2007
Victor Jerónimo

Muitos homens e mulheres têm passado pela minha vida. Com algumas centenas convivi dezenas de anos e bem poucos restaram no final.Os que restaram guardo-os no lado esquerdo do peito e cada um ocupa o seu lugar o carinho e a amizade que tenho para com eles.Os outros seguiram para outros lugares porque a vida não se compadece nem tem dó. É como os Natais, alguns ficaram bem aqui do lado esquerdo, principalmente aqueles em que a idade da razão ainda não havia chegado para compreender a vida, os outros, alguns, passaram-se foram-se no esquecimento.Esquecimento? Bem, se me lembro deles não ficaram tão esquecidos assim e isto porque a Lei da Polaridade nos ensina "Tudo é duplo, tudo tem dois pólos, tudo tem o seu oposto. O igual e o desigual são a mesma coisa. Os extremos se tocam. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliados "Porque tudo na vida é duplo tudo é igual apenas mudando a perspectiva com que encaramos o que nos rodeia.Os Natais e porque estamos nesta quadra, sempre serão iguais na comemoração do nascimento de um Deus-Menino e os comercias, sempre se preocuparão em usufruir o dinheiro que está nas algibeiras de cada um de nós e os pobres continuarão pobres, os mais afortunados talvez tenham uma sopa quente dada por alguma mão caridosa ou alguma instituição, os doentes continuarão nas suas camas de dor e alguns poderão ter a sorte de algum familiar ir dar-lhes um carinho com amor ou outros com menos amor apenas cumprindo o seu calvário, as guerras continuarão e homens, mulheres e crianças tombarão neste dia para sempre e cada vez sabendo menos pelo que morrem, os assassinos e ladrões continuarão assim como toda a corja que habita este mundo que lhes foi ofertado por um Ser Maior, mas que o homem tem destruído sistematicamente por ganância.Não pensem que escapam ao Juízo Final ou ao fim dos tempos, "Toda causa tem seu efeito, todo o efeito tem sua causa, existem muitos planos de causalidade mas nenhum escapa à Lei" Lei de Causa e Efeito,Cada um é responsável pelos seus actos e o que fizermos um pouco receberemos em dobro.É Natal no mundo cristão, para o resto do mundo o dia seguirá o seu curso sem manifestações natalícias e onde a heroicidade de cada um continuará a ser o seu viver.Que os meus amigos guardados do lado esquerdo do peito tenham um bom Natal e todos os outros o tenham por igual.Pelo menos que a recordação do verdadeiro Natal habite os seus corações."O que está em cima é como o que está embaixo. E o que está embaixo é como o que está em cima"

17.Dez.2007